segunda-feira, 21 de abril de 2014

Dia 0: 2009 - Graveola e o Lixo Polifônico (Graveola)




O disco de hoje não é de hoje. Na verdade foi o disco de ontem (domingo ensolarado, cuidando do jardim), mas como só hoje eu decidi dedicar alguns minutos da minha vida a este blog, decidi não deixar de postar. Até porque já indiquei o Graveola a tantos amigos, que acho que eles tinham que aparecer aqui logo. Então vamos para mais um grupo mineiro.

Conheci o Graveola há uns 3 anos, não me lembro como nem porque. Só lembro que não foi indicação de nenhum amigo. Talvez em uma destas fases de busca desesperada por música brasileira boa e nova, parecida com a que estou passando agora.

Este é o primeiro disco da banda. Logo após baixar do site oficial (http://graveola.com.br/home/), antes de começar a ouvir, você vai provavelmente se assustar com o "gênero" atribuído a cada música, mostrado pelo seu programa de áudio: tem tango, rock, infantil, jazz, bolero, blues rock, balada e world music. Atualmente, com tanta mistura, penso que o enquadramento de música em gêneros é completamente dispensável. Mas, neste disco, a classificação está bem interessante, provavelmente feita pelo Graveola mesmo.

Já na primeira faixa do álbum ("Outro modo"), a voz de um dos vocalistas (José Luis Braga, o da voz mais grave) me cativa e enche de curiosidade, pois sempre tive a nítida impressão de ser uma voz conhecida de outra banda, mas ainda não consegui identificar qual.

E com poesia, múltiplos instrumentos, pedaços confundidos de outras músicas e contradições eles seguem surpreendendo, música após música. "Supra Sonho" é um sambinha muito alegre que contradiz a letra triste triste. "Amaciar dureza" é de arrepiar, letra e música. Parece que faz referência a uma música dos Secos e Molhados: "por onde passou, sentiu o seu destino/ despedaçado/ atado, vidrado, trincado, cortado/ seus vícios, seus mortos, seus caminhos tortos/ na vida, amaciar dureza/ na vida amaciar..."

"Dois lados da canção" parece brincar com Roberto Carlos ("quando eu ouço a canção/ que eu fiz prá você") e com Os Mutantes ("eu juro que é melhor/ enfim") e, com certeza, com outras canções que eu ainda não identifiquei.

Depois temos quatro músicas que parecem brincadeira, com direito a um bolero ("Benzinho"), uma releitura do pagode horroroso da barata da vizinha. E para terminar o disco, fizeram a maravilhosa  música de altos e baixos, com um espetacular solo de sax: "Cidade".

Aí vai uma degustação!