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terça-feira, 26 de maio de 2015

Dia 75: 1970 - Call it anything (Miles Davis)


O Disco de Hoje é homenagem ao aniversário de nascimento de Miles Davis, que hoje faria 89 anos. Mas como assim um não brasileiro aqui no Disco de Hoje? A proposta não é música brasileira? Calma pessoal, neste show inacreditável temos a participação do Airto Moreira, fazendo os sons do trompete do Miles na cuíca, ajudando a justificar o Miles aqui neste blog...

O Disco de Hoje é o show do Miles Davis no festival da Ilha de Wight, em 1970, onde se reuniram mais de 600 mil pessoas para curtir nomes como The Who, Gilberto Gil e Caetano, Emerson Lake and Palmer, The Doors, Jimi Hendrix e Jethro Tull, entre outros...

O show é na verdade uma única música de 35 minutos. Quando perguntado sobre o nome da música que tocaram, o Miles disse: "Call it Anything". Esta música faz uma incursão em vários temas do inigualável "Bitches Brew", e quando a gente tá quase entendendo, quase chegando lá, quase se iluminando, faz uma mudança brusca... É como se ele colocasse os 20 anos de carreira (que ele já tinha na época) nestes 35 minutos.

Algum músico por favor me explica o que o o Gary Bartz faz com o sax lá pelos 12 minutos da música, ele está literalmente inspirando o sax?

Se você quiser entender um pouco mais desta transição do jazz pro rock do Miles, recomendo o documentário "Miles Eletric: A different kind of blue", com depoimentos de vários que tocavam com ele na época, críticos, etc... Nesta fase, Miles Davis foi execrado pelos críticos e pela imprensa como "o maior vendido da história do jazz". Mas o caso é que ele não podia ficar imune à revolução musical da época: Hendrix, Stones, Jethro e tudo mais... O documentário termina com este show, e  depois uma homenagem de vários ao Miles (Airto, Herbie Hancock, Santanna, etc).

O Disco de Hoje eu só tenho em vinyl, então, sorry. Fique contente com o show aí no youtube ou compre na Amazon o DVD por US$ 10, o LP por US$ 17, ou o MP3 por US$ 5.

sábado, 16 de maio de 2015

Dia 70: 2001 - Perpetual Emotion (Flora Purim)


O Disco de Hoje celebra a vida, o amor e a paz. Traz novamente meu casal musical favorito, Flora e Airto, neste disco em um quarteto com Christian Jacob (piano) e Trey Henri (baixo), acústico, sem sintetizadores, limpo. Airto na bateria, uma coisa de louco.

A música que mais me toca  neste disco "Flora e Airto", e é cheia de significados na minha vida. Em outro disco da dupla (Humble People - 1985) esta música se chamava "New Flora": "(...) você chegou, trazendo tanto amor, que agora nunca mais eu vou chorar..." 

"Crystal Silence", que apareceu aqui no Return to Forever, tem aqui uma versão piano, voz e percursão, mais melancólica, mais muito boa. "Escape" é o tipo de de jazz clássico que eu adoro, voz feminina, bateria toda quebrada...

Temos ainda as brasileiríssimas "Saudade" e "Carinhoso", do Pixinguinha. A lindíssima "Journey to Eden" e a excelente masturbação musical de "Airto's Jazz Dance". 

Escuta aí no tube "New Flora", e obtenha O Disco de Hoje.



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Dia 67: 1972 - Return to Forever (Chick Corea)


O Disco de Hoje é um dos melhores albuns de jazz de todos os tempos. E veja bem que já ouvi muitos e sou completamente apaixonado por Miles Davis. Atenção ao time: Chick Corea (pianos/fender), Stanley Clarke (baixo), Joe Farrel (sax e flautas) e meu casal musical favorito, Airto Moreira (bateria) e Flora Purim (vocal). A fusão desta moçada na efervescência psicodélica do começo dos anos 70 é de lavar e purificar a alma...

Ontem não acreditei quando notei que este ainda não tinha aparecido aqui no Disco de Hoje. Tinha certeza de que já havia colocado, mas quando fui indicá-lo para um amigo, não estava aqui... Houve uma divergência entre intenção e gesto...

Esta é a primeira formação da banda Return to Forever (RTF), que depois manteve o núcleo do Corea e Clarke, com a passagem de Al di Meola, Lenny White, Bill Connors e Jean Luc Ponty. Estes você não vai encontrar aqui no Disco de Hoje, mas pode dar uma olhada na timeline do Chick Corea.

O que dizer deste álbum maravilhoso? Apenas 4 músicas, sequenciais, indispensável ouvir do começo ao fim, ou corre o risco de perder o contexto. O ápice acontece na última música, que junta Sometime Ago e La Fiesta, que não consigo descrever além de uma explosão de sentidos. Ainda me arrepio em todas as vezes que escuto.

Ouça aí no tubios, ou veja o Chick tocando La Fiesta, infelizmente sem o Airto e a Flora, mas não deixe de adquirir O Disco de Hoje.



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Dia 48: 1967 - Quarteto Novo (Quarteto Novo)


O Disco de Hoje é Hermeto Pascoal, Airto Moreira, Heraldo do Monte e Theo de Barros em suas primeiras florescências. A maioria das músicas é do grande compositor Geraldo Vandré. Preciso dizer mais alguma coisa?

Só sei que fizeram em 1967 um som que continua tinindo de novo.

Escute ou abaixe o Disco de Hoje.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Dia 20: 1977 Slaves Mass (Hermeto Pascoal)

O disco de hoje é meio bombástico!
Até porque nem todo mundo gosta (ou consegue escutar) o velho barbudo.
Hermeto Pascoal é um gênio musical e sua genialidade pode ser atribuída à forma de como faz a música (como ele gosta de falar, faz música universal).

O Slava Mass de 1977, onde o jazz brasil se mistura às influências do jazz gringo. Os baixistas Ron Carter e Alphonso Johnson participam dessa geléia musical.
Obviamente o tom Brasil se faz com os demais músicos brasileiros, como Airto Moreira (que já apareceu por aqui também no "o disco de hoje"), Flora Purim nos vocais, Raul de Souza no trombone e David Amaro na guitarra.

A terceira faixa do disco é talvez a mais popular "Chorinho Pra Ele" onde o choro se mistura com a música universal do Hermeto dando velocidade à coisa toda. Uma das curiosidades desse disco é a segunda faixa, onde Hermeto faz som com dois porquinhos (de verdade), pois ele faz som com os porquinhos de borracha também.

Permita-se a escutar e reescutar o disco e apreciar essa belezura.
Curte aí no tubiu!

Ou abaixe o disco.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Dia 10: 1973 - Jacarandá (Luiz Bonfá)


O Disco de Hoje foi difícil escolher. Em homenagem ao Dia Internacional do Jazz, estou ouvindo  alguns álbuns brasileiros deste estilo desde de manhã. Já passei por Airto Moreira, Os Cobras, uma excelente coletânia chamada Bossa Jazz, Hermeto Pascoal e Eumir Deodato.

Mas daí, re-ouvi o excelente violonista Luiz Bonfá, e "Jacarandá" virou O Disco de Hoje. Para começar, todos os arranjos foram orquestrados pelo genial Eumir Deodato (que certamente aparecerá aqui em um outro dia). Conta com percurssão de Airto Moreira e baixo de ninguém menos que Stanley Clarke.

O disco já começa com a pauleira das congas, percursão e bateria ensandecidas em "Apache", uma sonzera. "Empty Room" tem a força do baixo inconfundível do Clarke, junto com o violão limpo, sonoro e cheio de "groove" do Bonfá, característico de todas as faixas do disco. "Song Thoughts", que seria ótima trilha para uma cena de perseguição em algum filme. A música que dá nome ao disco ("Jacarandá") é uma obra prima, bela e suave. E para terminar o Disco de Hoje, "Sun Flower" também é demais.

Tem que ouvir esta sonzera do começo ao fim, talvez aqui. Dá para degustar "Apache Talk" aí no iutubius.


terça-feira, 22 de abril de 2014

Dia 2: 1972 - Free (Airto Moreira)


Fazia bastante tempo que eu não escutava o Airto Moreira. Hoje eu coloquei no meu player no randômico e eis que a primeira música que toca é a "Return to forever", deste disco. Não tive opção, tive que tirar do randômico para ouvir o disco todo e fazer com este fosse O Disco de Hoje.

O Airto é um monstro e já tocou com muitos dos grandes gênios da música: Miles Davis ("Bitches Brew" e "Ilha de Wight") , Santana ("Borboleta"), Chick Corea e Stanley Clarke ("Return do Forever"), Hermeto Pascoal (no seu primeiro disco, o "Quarteto Novo"), entre outros. 

O percursionista é marido da Flora Purim, uma das grandes vozes do jazz. Se mudaram para os EUA em 1960 e o fato é que ninguém conhece o Airto e a Flora no Brasil, apesar de agora terem estragado uma de suas músicas para a usarem na Copa do Mundo.

Este disco é especial, começando pelos participantes: Flora (vocal) , Chick Corea (piano), Joe Farrel (sax), Keith Jarret (piano), Stanley Clarke (baixo), entre outros cabeções da música.

A primeira música é  uma pequena amostra (10 minutos de música) da épica "Return to Forever", que vale a pena escutar posteriormente na sua versão original e no contexto do disco "Return to Forever" do grupo homônimo, também de 1972. Depois temos "Flora Song", bem calminha, com berimbaus, muita percursão, flautas, sax... A música que da nome ao disco "Free" é bem difícil de gostar, tem que ouvir várias vezes, acostumar os ouvidos... É só percursão, um baixo de leve, e a boca do Airto, que é um instrumento de percursão único. As últimas três músicas do album do tipo jazz alegrinho, sempre com uma levada bem brasileira e cheia de percursão.

Provavelmente este não é o melhor disco para ser apresentado ao Airto, existem outros mais cativantes.
Mas é este O Disco de Hoje.