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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Dia 29: Ian (Ian Ramil)


Havia baixado o Disco de Hoje há algum tempo, mas demorei para ouví-lo pela primeira vez. Hoje calhou, e Ian Ramil entra para a seleta lista do Disco de Hoje. Já conhecia o filho do Vítor Ramil através da sua parceria na composição de algumas das ótimas músicas do Apanhador Só (Nescafé, Despirocar, Rota, Um Rei e um Zé).

Este é o primeiro disco do Ian, tranquilo, bem produzido, limpo e diferente. Começa com a interessante "Segue o Bloco", que tem um belíssimo trecho de sax e arranjos criativos. "Zero e Um" tem transições marcantes, parece um mosaico de várias músicas, com um alto grau de entropia, múltiplos instrumentos, excelente e arrepiante música. Algumas músicas parecem brincadeiras, como "Seis Patinhos" e "Pelicano". Temos ainda excelentes versões de "Nescafé" (com homenagens aos Beatles) e "Rota", que transformam radicalmente as músicas lançadas antes pelo "Apanhador Só". Ainda gostei bastante de "Hamburguer", que parece bastante com o tal do rock clássico americano, e "Entre o Cume e o Pé". "Transe" é linda e apaixonante.

O disco e encartes podem ser baixados gratuitamente no site do músico (http://www.ianramil.com/), mas não se esqueça de contribuir com qualquer quantia.

sábado, 26 de abril de 2014

Dia 6: 2013 - Antes que tu conte outra (Apanhador Só)



O Disco de Hoje concorreu em 5 categorias no Prêmio Açorianos de Música (um dos concursos mais importantes do Rio Grande do Sul) e levou 2, melhor intérprete e melhor album pop(?). Além destes, concorreu a um montão de prêmios e ganhou alguns no ano passado, como o de melhor disco de 2013 segundo a Associação Paulista de Críticos de Artes.


Apesar destas premiações serem muito bacanas como reconhecimento do trabalho dos artistas, isso não tem muita importância aqui no Disco do Dia, aqui o que vale é a cativação e conquista do ouvinte. E este disco me conquistou antes mesmo de começar a ser feito. Ele foi produzido através do financiamento coletivo (crowdfunding) e centenas pessoas contribuíram com valores que davam o direito a recompensas que iam desde bottons, camisetas e CDs até serenatas ou shows da banda. Isto é muito bacana, pois possibilita o trabalho artistas independentes e gera uma sensação de pertencimento aos ouvintes, a ideia de que "participei da construção deste disco".


Me conquistou também antes de ouvir, ao resgatar a minha recompensa (CD), ao ver o cuidadoso, criativo e lindo trabalho gráfico das capas, encartes e disco (mereciam ganhar também na categoria Melhor Projeto Gráfico).


Confesso que na primeira vez que ouvi o disco, achei meio "estranho", senti falta daquelas músicas bunitinhas do primeiro disco da banda, de 2010. Esta impressão passou logo na segunda vez, com os ouvidos já acostumados aos sons e poesia deste album.

A faixa "Vitta, Ian e Cassales", que parece ser várias músicas em uma só: as variações de ritmo, instrumentos e tema ao longo da mesma música são surpreendentemente boas. "Despirocar", pesadassa, vale a pena ouvir e ver o excelente videoclip . "Líquido Preto", composição em parceria com o grande amigo Rafa Vitta, é divertida, uma brincadeira com bastante sarcasmo sobre o tubo preto do imperialismo. "Torcicolo" acho que só pode ser compreendida pelos jovens viventes do RS, que passam pelos perrengues das variações sazonais de temperatura da região. Destaque também para a beleza poética e musical de "Reinação" e "Cartão Postal". Esta última fecha o album com chave de ouro, com certa melancolia e uma passagem que eu adoro: "(...) que as pernas do meu lado vão envelhecer, os sapatos que elas vestem vão perder o verniz, a carne dura menos que qualquer madeira..."

O disco pode ser baixado gratuitamente no site dos caras (www.apanhadorso.com). Se tiver a oportunidade, não deixe de comprar o disco, pois o encarte vale a pena e os caras merecem a sua contribuição.

Vida longa ao Apanhador Só!