segunda-feira, 21 de abril de 2014

Dia 1: 1972 - Clube da Esquina (Milton Nascimento e Lô Borges)


O disco de hoje foi fácil escolher, pois foi o primeiro que ouvi, 2 LPs na vitrola enquanto preparava o café da manhã, e único até esta postagem. Mas de qualquer forma, seria o disco escolhido, pois faz parte da minha trajetória, da formação da minha "mineridade", da minha alma.

Não me lembro quando ouvi pela primeira vez. A impressão que dá é que algumas músicas dele estão impressas na minha memória desde sempre, e acredito que em grande parte dos mineiros da minha geração.

Apesar do disco ser atribuído ao Milton e Lô Borges, na verdade o album foi um "juntamento" de um monte de mineiros (irmãos Borges, Fernando Brant, Flávio Venturini, Wagner Tiso, Toninho Horta e vários outros) em uma época de efervescência musical de Minas, com uma forte influência do rock que chegava da Inglaterra. Resultou numa estranheza linda, com diversos compositores e músicas muito diferentes umas das outras.

O interessante é que eu demorei a escutar a obra completa. Conhecia a maior parte das músicas, de coletâneas do Milton Nascimento ou rádio. Mas tive uma bela surpresa quando escutei do começo ao fim pela primeira vez. O album duplo tem de tudo. Rock'n roll em "Tudo que você podia ser", "Nada será como antes" e o finalzinho de "Um girassol da cor do seu cabelo" (queria que a levada rock desta música continuasse por mais alguns minutos). Tem um samba de rasgar o coração em "Me deixa em paz", e as populares "Trem Azul" e "Paisagem da Janela" e a lindíssima "Clube da esquina n° 2" em uma versão ainda sem letra. O grupo é tão misturado que, segundo os sabichões da Wikipedia, está enquadrado em Música experimental, Jazz Fusion, Psych Folk e Rock Progressivo.

Me impressiona a modernidade do disco, que já completou seus 40 anos.

Figura entre os 10 primeiros em qualquer lista respeitável dos melhores discos brasileiros. Tem que ouvir de cabo a rabo!