quinta-feira, 9 de julho de 2020

2016 - Nashville Sessions (Jake Shimabukuro)

Por Augusto Cavalcanti.

Antes de apresentar o Disco de Hoje, vou contar um pouco sobre como cheguei nele.

Eu e a Aline somos pais do Raul, um gurizinho de 1 ano e 4 meses super querido, cheio de alegria e que transborda energia. Como queríamos introduzir a percepção musical ao pequeno, com alguns meses antes dele completar um ano, compramos alguns instrumentos musicais, dentre eles dois violões de brinquedo. Um de plástico, que logo sucumbiu e outro de madeira, réplica de um violão convencional, mas bem pequeninho, menor que um cavaquinho. Vira e mexe o Raul pegava o instrumento, batia nas cordas pra fazer um barulho e nós “tocávamos” e cantávamos qualquer coisa pra fazer uma bagunça em casa. Tenho uma noção muito básica de música, e tentei desencavar um violão surrado que tenho em casa para tocar umas músicas infantis, mas como nunca me dediquei a aprender a tocar bem, o violão acabou competindo por espaço na nossa sala e foi pro saco novamente. Foi então que vi naquele violãozinho que ficava na bagunça de brinquedos, um potencial para afinação e de poder tocar algo básico, até mesmo pro Raul escutar as notas corretamente quando comparadas ao xilofone e ao tecladinho.

 

A escala dele é muito estreita, com as cordas muito próximas dificultando o posicionamento dos dedos, além de nunca conseguir afinar as duas primeiras cordas E e B. Aquilo era um saco, pois não conseguia montar alguns acordes básicos e não saia nada direito. Eis então que resolvi arrancar aquelas duas cordas rebeldes e transformar aquele micro violão. Próxima etapa seria o que ele se tornaria, um cavaco, um banjo, bandolin de 4 cordas ou ukulele. O banjo nunca me atraiu, já cavaquinho é tipo instrumento de sopro, se tu não tocar bem, só sai barulho, precisa de um baita treino de ritmo e batida para a mão direita, além de trocas rápidas nos acordes e dedilhados. O bandolin, que belo instrumento, minha mãe tem um lindo Del Vecchio Dinâmico da época de guria, mas que anda precisando visitar um luthier. Esse também me faz lembrar da infância escutando chorinho na casa do meu avô e de alguns shows do grande Hamilton de Holanda e Clube do Choro em Brasília, mas assim como o cavaco, dá um trabalho até sair alguma coisa decente e não era o momento para tanta dedicação. Só queria fazer um sonzinho para o Raul se divertir. Decidi por um ukulele, que me parecia ser mais simples de tirar uma balada e tem bastante material didático na internet. Depois de me livrar das cordas e dar uns bons apertos nas tarrachas, a afinação pegou, mas e agora? Pra que eu fiz aquilo se não sabia nenhum acorde no novo instrumento? No fim das contas, aquelas cordas que não afinavam, fizeram eu me acostumar a ter que encontrar as notas independentemente se a corda estava afinada ou não, e com um pouquinho de paciência no dedilhado, acabava saindo alguma introdução de música, tendo que me adaptar a cada dia a uma nova posição das notas no braço. Dessa forma, acabei me entendendo um pouco mais com a dinâmica dos instrumentos de corda e percebi que não seria um problema passar para um instrumento com afinação diferente.

Violãozinholele do Raul

Pronto, agora com um ukulele rudimentar, comecei a ver uns vídeos tutoriais no Youtube, sobre o instrumento em si e como tocar músicas infantis. Nesses vídeos, descobri alguns canais interessantes como do Marcelo Serralva (musicalização infantil), da Patrícia Salviano (musicalização para bebês), Grupo Canela Fina (musicalização infantil), Marcel Viana (músico que ensina umas batidas legais) e o João Tostes (ukulelista). O João Tostes é um ukulelista compositor renomado internacionalmente, é dele o primeiro álbum instrumental de ukulele produzido no Brasil, Naturae, além de ser pioneiro na educação do ukulele aqui no país. Toda essa história foi para falar sobre o Disco de Hoje. Através do canal do João Tostes, conheci o trabalho do havaiano Jake Shimabukuro, uma das maiores referência mundiais no ukulele e acabei escutando sua discografia, disponível no Spotify. Seu trabalho é bem diversificado e seus primeiros álbuns até confusos, que não seguem uma linha temática ao misturar músicas experimentais, pops e outras com caráter mais erudito. É como se tivesse acumulado muita ideia de produção no início de carreira e quis desovar tudo de forma aleatória em alguns álbuns. No meio dos 13 albuns tem muita coisa interessante, mas um deles em especial me chamou a atenção, foi o Nashville Sessions. Gravado por um trio, ukulele, baixo e bateria em 2016 e que foge dos conceitos mais tradicionais do ukulele. Tem uma abordagem bem progressista, com elementos do fussion, num contexto atual e ao mesmo tempo remetendo ao início dos anos 70, com a sintetização do Jazz e encontro com o Rock. Nesse tema, me lembro das sessões nas repúblicas da época de graduação na Praia do Cassino-RS, ouvindo a todo pau ou vendo os VHS de Mahavishnu Orchestra, Dave Brubeck, Passport, Call it Anything e Bitches Brew do Miles Davis, Meddle do Pink Floyd, Woodstock e Isle of Wight Festival, assim como tantos outros que eram apresentados com empolgação aos amigos sempre que alguém descobria algo “novo”. Neshville Sessions vai da euforia à tranquilidade e é um som legal para te dar inspiração, serve até para dar vontade de escrever uma história. 

Essa busca por um som no ukulele foi levando a um artista, que foi levando a outro, e assim conheci um diversificado mundo de um instrumento que para mim se resumia à simplicidade e à música tradicional polinésia. Nesses tempos de isolamento, ficar praticamente sem sair de casa com uma criança em pleno desenvolvimento dos estímulos sensoriais e ávida ao descobrimento do mundo, não é tarefa fácil. É um grande exercício manter o entretenimento educativo desse serzinho cheio de energia, e além das brincadeiras, desenhos e leitura, a música tem-se mostrado uma grande aliada. Hoje, depois de aprender alguns acordes no nosso protótipo ukulele, o Raul já aparece com ele na mão pedindo para tocar O Sapo Não Lava o Pé, Aram Sam Sam, Galinha Pintadinha ou fazer um rock progressivo DIY.

Ukulele, Seizi Maui Plus

Aquele instrumento trastejante de timbre engraçado e ordinário, continua na ativa, mas vem abrindo espaço para um legítimo ukulele entonado e com som límpido, trilhando um caminho a ser lentamente percorrido com a alegria da música tocada em casa.

 

PS: Muito obrigado à Kamile do Grupo Canela Fina pela gentileza de ter me enviado um balaio de cifras de músicas infantis. O trabalho de vocês é muito bacana.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Dia 90: 2014 - Perotá Chingó (Perotá Chingó)


Muito grato por ter sido apresentado ao Disco de Hoje, simples, bem feito, delicioso e cheio de amor, tipo almoço da vovó. Perotá Chingó nasceu de um encontro no mágico Cabo Polônio, um pequeno pueblo isolado por um extenso campo de dunas na costa do Uruguai. Lindo farol, lobos marinhos, pequenas casas (des)organizadas num formato quase circular semelhante ao de tribos indígenas.

Parece que o violão (Diego Cotelo) e a percussão (Martin Dacosta) tocam de forma cuidadosa, para complementarem suavemente as vozes das meninas (Maju e Dolo), com o instrumental se sobrepondo às vozes raríssimas vezes. Ainda tem barulhinhos orgânicos, sininhos, grilos, chuva, passos...

Capturaram o espírito de Cabo Polônio e o semeiam em suas músicas. Este espírito é quase palpável em "La Complicidad (Soy el Verbo)", versão da música da banda porto-riquenha "Cultura Profética". Ouvi a versão original, e não senti nada demais. Na voz das meninas do Perotá, a música ganha um sopro de vida e sentimento profundo. Se você está apaixonado (como eu), vai querer ouvir e re-ouvir esta música até não cansar.
Soy el verbo que da acción a una buena conversación
(...)
La complicidad es tanta que nuestras vibraciones se complementan
Lo que tienes me hace falta y lo que tengo te hace ser mas completa
La afinidad es tanta
Miro a tus ojos y ya se lo que piensas
Te quiero porque eres tantas cositas bellas
Que me hacen creer que soy
Do André Abujamra, que já apareceu aqui no Disco de Hoje, temos a belíssima "Alma não tem cor", que ficou famosa na voz do Chico César (que tem que pintar aqui um dia desses). Tem ainda as belíssimas "Rie Chinito" e "Seres Extraños", de autoria deles. No finalzinho do disco, temos ainda uma injeção de energia positiva em "Inca Yuyo", um eletrônico acústico que te faz querer sair correndo na chuva.

Ali no tubius você pode sentir o clima "tocando com (e para) amigos", tem vários outros vídeos ali.. Ouça no ixpótifai, ou adquira imediatamente O Disco de Hoje.

 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Dia 89: 2016 - Höröyá





Höröyá: Autonomia, liberdade, dignidade em corpo, mente, espírito.
Que alma tem um povo de um passado sem glória?
O que pode este povo, privado de história?
Que corpo tem futuro, passado, presente, se a herança é a dor, chicote, corrente, na alma, na mente?
Servindo a ganância alheia, vivendo, morrendo, descrente, neste pedaço de terra, amontoado de gente…

Minoria luta, maioria consente…
Minoria luta, maioria consente…

Se de sangue e estupro somos feitos, nós então quem somos?
O bandeirante, o missionário ou o índio?
O capitão do navio negreiro, capanga, o capitão do mato, o escravocrata ou o quilombola, o capoeira?
O que explora e destrói, ou o que cultiva a terra?
Ou somos nós a terra?
Essa terra, nação diversa, sem eixo, nem rumo.

Dos filhos órfãos que aqui pariu, pátria amada!
De passado em diante tem futuro?
Que futuro tem?
Pra quem?

Que sejam eternos todas as pessoas, grupos e espaços que lutam e lutaram contra as restrições de liberdade, a opressão, a escravidão, o genocídio.
Todas as revoltas, fugas e submissões de resistência.
A todas que queimaram engenhos, que se recusaram às missões, que envenaram e subverteram ordens.
A todos que resistiram…

O Disco de Hoje está sem palavras. Download no site oficial, ouça no Spotify.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Dia 88: 2013 - Desaguou (André Sampaio & os AfroMandinga)



Passaram alguns meses desde que fui apresentado ao excelente Disco de Hoje. Segundo o site oficial, no álbum “Desaguou”, André Sampaio & Os AfroMandinga apresentam um encontro entre Rio de Janeiro, Mali, Burkina Faso, Lisboa, Moçambique e Olinda.

André Sampaio era o guitarrista da excelente banda de reggae brasileiro Ponto de Equilíbrio. Saiu da banda, andou viajando pela África Ocidental, juntando experiências e material para este disco.

Na primeira música, já diz ao que veio, com o soul suingado de "O que fazer?". A lindíssima "Desaguou" conta com a guitarra africana do Vieux Farka Touré, de Mali. Solos suaves de guitarra complementam a beleza da letra:
Olha a vida é como um rio, quando vê já desaguou
Nascemos água, morremos terra, assim dizia o avô
Na outra margem tão longíqua, eu encontrei quem sou
Tem uma versão da maravilhosa "Juízo Final", de Nelson Cavaquinho, eternizada por Clara Nunes, bem como a Zumbi, do Jorge Ben, com BNegão e um monte de gente boa.

Para o meu regozijo, temos até um belíssimo afrobeat em "Zimbawenin". Uma das minhas preferidas é "Rainha", que me fez pensar que nossas paixões, assim como nossas dores, são sempre maiores do que a dos outros.

Todos vocês guardam no peito
No peito uma paixão
Mas paixão igual a minha
Essa não existe não, não não
Tempo que não volta mais
Tempo bom, ah tempo bom
De que adianta olhar pra trás?
Tempo bom, ah tempo bom
Visite o site oficial, compre o disco, dá uma escutada ali no tubio, abaixe já O Disco de Hoje ou ouça no ixpótifai. Lembrando que todos os discos que já passaram por aqui estão em uma playlist do spotify, boa para botar no randômico (que nunca realmente o é) e descobrir boa música.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Dia 87: 2016 - Bagaça (Bruno Batista)



O Disco de Hoje não havia visitado o Maranhão, só de rasão em algumas participações do Zeca Baleiro, que também participa deste do seu conterrâneo.

Portanto, com enorme prazer trago aqui o álbum "Bagaça", do nascido Pernambucano e vivido maranhense Bruno Batista. Ele vem com quase duas décadas de música, primeiro disco lançado em 2004.

O disco começa "Bagaça", sertaneja no bom sentido: que emana dos sertões desse brasilzão. Esta se gruda com "Batalhão de Rosas", que começa pesada nas guitarras, percursão e bateria, que contrasta com a voz tranquila e quase alegre do Bruno Batista. "Caixa Preta" é bunitassa, música para apaixonar-se ou curtir uma paixão. Outra linda é "Turmalina", cantada pela Dandara. Tem ainda para quem gosta, guitarrada e brega em músicas como "Você não vai me esquecer assim", "Prá ver se ela gosta" e "Nigrinha".

Ouve aí no ispotifai, espia o belo videoclipe no tubius ali embaixo ou adquira O Disco de Hoje gratuitamente na página oficial do cara.

 

domingo, 10 de janeiro de 2016

Dia 86: Paraíso da Miragem (Russo Passapusso)


O Disco de Hoje deve começar a ser degustado pela capa e contracapa (um forte motivo para eu ter aduirido o LP). Multicolorida, bonita, complementares: os nomes das músicas na contracapa são ilustrados na mesma posição da capa, muito bacana.

Russo Passapusso tem mais de uma década de carreira (Baiana System, Bemba Trio) e este é o seu primeiro trabalho solo. "Paraíso da Miragem" é uma ótima forma de começar a se acostumar com o Russo, mas é bem diferente dos seus outros trabalhos.

Anelis Assumpção deixa sua marca na maravilhosa e dolorosa "Sem Sol", e o álbum ainda tem participação de BNegão, Edgar Scandura e Marcelo Jeneci, com o toque infalível do Curumin como produtor. Impressionante como a cena musical do Brasil tem contado com várias combinações de alguns elementos-chave...

A minha preferida é "Sangue do Brasil", mas na verdade ela parece se encaixar perfeitamente com a anterior ("Areia") e a próxima ("Relógio"). Na verdade, é um álbum para se ouvir do começo ao fim, de preferência com alguns repeats...

Curte aí uma excelente versão de "Relógio" no tubius, rodeado de feras (Saulo Duarte, Curumin, José Nigro), compre o LP ou abaixe O Disco de Hoje.



sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Dia 85: 2015 - Encruzilhadas (Djambê)


O Disco de Hoje é pedrada musical vinda lá de BH. A banda Djambê tem uma década de estrada, e apresenta uma belíssima obra em no último trabalho: "Encruzilhadas" "A pulsação das influências musicais africanas somadas à energia do rock constroem o novo som apresentado pela banda, que o definiu como rock-macumba". Eu vi alguma influência do manguebeat em algumas músicas, e só agora, escrevendo este post, me surpreendi sabendo que a banda vem lá terrinha. Destaque para as letras bem construídas, de conscientização, protesto, para "inspirar a revolução interna". 

Eu começaria ouvindo "Trovão", que já começa com um peso que me traz de leve alguma coisa que eu já ouvi mas não identifiquei, talvez um riff de alguma do Sepultura (se você conseguir identificar, ficarei feliz em ser avisado). Nesta, adorei e metáfora do líquido e da garrafa:
"E não adianta nem
tentar me rotular
pois eu sou o líquido
e não sou a garrafa
Mergulhe prá ver melhor"
"Que igualdade é essa?" é excelente, cheia de transições e passagens em ritmos diferentes, forte influência e percursão africana, com a guitarra do rock, mostrando de forma genial algumas das nossas contradições ideológicas. Várias outras merecem destaque, como "Cativeiro" e "Reflexo".

"#EuNãoMereço" tem que ser postada aqui a letra inteira, para ver se entra de vez na cabeça dos machos alpha, que insistem em continuar existindo em pleno futuro.
Quem te deu esse direito de falar assim comigo?
Quem você pensa que é pra tentar se aproximar?
Eu não lhe conheço, nem quero saber 
O que você pensa a meu respeito, não precisa me contar
Guarde pra você todas as palavras
Os olhares, a malícia que só enxerga quem quer ver 
Meu jeito de andar, a minha saia
Minha blusa decotada não são convites pra você
Minha liberdade vai além do seu desejo
Eu não sou boneca programada pra te dar prazer 
Olha no meu olho, vê se mostra algum respeito
Eu sou minha, escolho comigo quem vai
Meu corpo, minhas regras, nada mais!
Demorei muito pra dizer
Curte aí esse show em excelente qualidade, lindo, na comunidade do Açude, na Serra do Cipó.
Ou baixe O Disco de Hoje gratuitamente no site oficial da banda (http://www.djambe.com.br/).

 

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Dia 84: 2004 - Junio Barreto (Junio Barreto)


Já faz tempo que o Junio Barreto foi O Disco de Hoje, entretanto nunca foi postado... O pernambucano de Caruaru lançou este disco depois de duas décadas de carreira. Amigo pessoal do Otto, teve algumas músicas gravadas por grandes nomes como Lenine e Gal Costa (Santana) e Nação Zumbi (Toda surdez será castigada).

Depois desse, lançou um EP em 2008, e recentemente o excelente "Setembro", de 2011.

Disco bom, do começo ao fim, letrista inspirado, músicas bem arranjadas, gostosas de ouvir... De cara, começa com "Qualé mago", excelente bossinha eletro ("andar descalço, quando cedo chegar (...) porque ter muito é ter não, por não ter jeito de vez") e a divertidíssima "Se vê que vai cair deita de vez".

A minha preferida é realmente "Santana", que na minha singela opinião é melhor do que a versão do mestre Lenine. 
"A nossa santa padroeira chorou sangue,
Chorou sangue,
Chorou sangue: era Deus e beleza.
Despego meu;
Quem girou a moenda partiu.
Na pressa o rosário quebrou.
Chorou, ah, chorou.
Louveira santa, desata o apuro,
Leve e tanto, sempre sido só;
Tange solto quebrado, quebrado,
Claro carmo, nossa sede, obá."

A instrumental "Passeio" é algo que vale muito à pena ouvir, me leva à tranquilidade de um dia alegre e ensolarado.

Te abre e sinta "Santana" aí no tubius, de chorar. Não deixe de prestar atenção no baixo nervoso do DJ Tudo (Alfredo Bello), que já apareceu aqui diversas vezes. Escute o disco no soundcloud e se gostar adquira já O Disco de Hoje para agregar à sua coleção.





quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Dia 83: 2003 - Fuloresta do Samba (Siba)

O disco de hoje começa com os sons marcantes das cirandas e dos maracatus de baque solto.
Siba é um multi instrumentista, mais conhecido pela rabeca que toca e por seus baques vocais afiados, desde a banda Mestre Ambrósio (que já desfilou por aqui no "O disco de hoje" também).

O som desse disco vem dos registros da zona da mata pernanmbucana e traz à tona a simplicidade complexa nos instrumentos. O maracatu rural geralmente é feito com um conjunto de metais (clarinete, saxofone, trombone, corneta ou pistom), e a percussão que é formada normalmente por uma única caixa ou tarol, surdo, ganzá, chocalhos e a porca (uma cuíca com som grave).

Na primeira música siba apresenta a Fuloresta, instroduzindo os desvisados ao seu universo.

O baile segue e fica animado já na terceira música Caluanda, apresentando essa linda ciranda, que dá vontade de sair bailando junto.
Acelerando a coisa, os maracatus rurais acelerados das músicas Trinceiras da Fuloresta e de Poeta Sambador, deixam o ouvinte pensativo e com vontade de sambar os maracatus rurais também!

Vale à pena escutar os discos do Siba, que em breve devo trazê-los aqui novamente. Genial!

Todas as obras do Siba estão disponíveis para download no site dele (pega aí).
Ou escuta aí na "SomNuvem"

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Dia 82: 2014 - Leveza (A fase Rosa)

O disco de hoje fui conhecer ao escutar a rádio Farm. Com som moderninho, mas sem deixar de lado o apreço por suas letras e a comunicação das sensações comuns. Transpassam o ar praiano através do olhar musical dos mineiros de BH.

De primeiro momento me lembrou o timbre vocal de Fruet e os Cozinheiros, mas descobri neles algo mais tropical que achei bacana em compartilhar por aqui.

Têm som descontraído e ao mesmo tempo um comprometimento com a musicalidade brasileira, em suas ritmicas abrangentes, com sambinhas, dubs, carimbós e xotes moderninhos.

O disco Leveza é o segundo trabalho do grupo, que parece ter refinado um pouco a forma de comunicar a música de forma "leve" como o álbum se propõe.

Espero que gostem também!

Escuta no Tubiu's, ou baixe Aqui: http://www.afaserosa.com.br/




sábado, 4 de julho de 2015

Dia 81: 1986 - Titane (Titane)


O Disco de Hoje faz parte da minha formação, da minha infância. Esta belezura é o primeiro disco da Titane, mineira com mais de 30 anos de carreira, e 8 álbuns. Este disco tem raízes fortes de minas. Tem congado, tem Uakti, tem músicas de diversos compositores da época, grande parte inéditas na época. Sua voz é poderosa e os arranjos ricos.

"Canção da Lua Nova", de Rubinho do Vale abre o disco com o coração.
Vou cantar pra não morrer e nem pra viver em vão
Cada espinho que se colhe vai ser flor de outra canção
A razão de resistir é ser a rosa da roseira
Cada espinho do caminho não é cova traiçoeira
Água clara lua nova renovando a vida inteira

"Brasil Século V - Toré" tem as percursões e flautas maravilhosas do Uakti. Termina com psicodelia em um jogo de palavras com nomes de tribos indígenas.

"Giramundo Tremedá" é animada e divertidíssima: 
"Afasta seus cabelos morena ai meu amor, afasta sua boca da minha boca por favor..."
Certamente você não conhece a Titane. O Disco de Hoje te dá esta oportunidade. Dá uma olhada aí no tube, ou adquira já O Disco de Hoje.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Dia 80: 2015 - Carbono (Lenine)


O Disco de Hoje traz novamente o mestre Lenine, que parece cada vez mais engajado com a educação ambiental através da música. Temas que já apareciam com força no maravilhoso Labiata, são recorrentes em "Carbono", como poluição, derrames de óleo, incêndio, falta de água, aquecimento global. Então, mais um motivo para amar o Lenine, o engajamento. Outro motivo que para mim fica evidente no Disco de Hoje, a renovação a cada novo álbum, um Lenine sempre diferente, sempre moderno, sempre à frente.

Começo com "Cupim de ferro", a primeira composição conjunta entre Lenine e Nação Zumbi, uma belezura só. Composta em conjunto, traz os riffes e ritmo do Nação, letra e balanço do Lenine. Em entrevista, Lenine conta que perguntou como era o processo de criação do Nação, e se encaixou nele...

"Quem leva a vida sou eu", desconstrói "Deixa a vida me levar" do Zeca Pagodinho...  
"Não deixo a vida me levar
Levo o que vale do viver
Um sorriso pleno, um amor sereno
E tudo o que o tempo me der"

"Castanho" abre o disco com uma viola, tranquila, bem arranjada. Quando vai pro rock, em "Grafite diamante" e "Undo" (excelente instrumental), vai com guitarras ainda mais pesadas do que em "Labiata". A guitarra e distorções talvez sejam uma marca da fusão Lenine/Tostoi, guitarrista, produtor e responsável pelos eletrônicos e sintetizadores de "Labiata", que acompanha Lenine há alguns anos...

Uma obra-prima "Quede Água", que explica tudo.
"O lucro a curto prazo, o corte raso
O agrotóxico, o negócio
A grana a qualquer preço, petro-gaso
Carbo-combustível fóssil
O esgoto de carbono a céu aberto
Na atmosfera, no alto
O rio enterrado e encoberto
Por cimento e por aslfalto
Quede água? Quede água?"
Ouve aí e adquira já O Disco de Hoje.

domingo, 7 de junho de 2015

Dia 79: 2006 - Navega (Mayra Andrade)


Mais um álbum não brasileiro no Disco de Hoje, mas justificativas sempre existem... Desta vez, poderia argumentar dizendo que tem cuíca, que tem chorinho, que algumas músicas foram gravadas no Brasil, que há a participação de músicos brasileiros... Mas a verdade é que acabo colocando aqui algumas coisas que me são apresentadas por pessoas maravilhosas e quero apresentar para outras pessoas maravilhosas...

Mayra Andrade é adorável e radiante. "Navega" é seu primeiro álbum, com a maioria das músicas em criolo caboverdiano, uma em francês... Em outros discos, ela ainda canta português e inglês... Acho que o que mais me encantou foi esta língua criola, parece que entendemos tudo, mas nada...

Começa com "Dimokránsa" (Democracia), linda, viola de chorinho, cuíca gritando uma música de protesto, falando da democracia torta, a democracia de mentiras... Linda letra, deu vontade de estudar a história de Cabo Verde e conhecer as pessoas citadas na música. Informação rápida e superficial: Cabo Verde conquistou sua independência de Portugal em 1975, apoiado por Cuba, e só em 1991 tiveram suas primeiras eleições. O pai dela lutou pela independência. Ela nasceu em Cuba por causa de complicações da gravidez, com recursos médicos mais avançados...

Gostei um montão de "Comme s’il en pleuvait", ritmo, francês, voz, sax... "Regasu" exalta o amor, aquele, de verdade, de pais. Parte o coração, linda demais...

Veja este e os outros discos da moça no site oficial. Não deixe de ouvir e adquirir o Disco de Hoje

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia 78: 2006 - Projeto CRU (Simone Soul, Alfredo Bello e Marcelo Monteiro)






Rio Grande, 01 de junho de 2015.


Querida Simone,

Te encontrei uma única vez... Hoje não tenho certeza de quem você acompanhava, se Zeca Baleiro ou Chico César. Creio que seja o Zeca, no Palácio das Artes, em 2002. Sei que qualquer um deles se tornou coadjuvante no próprio show, ofuscado por ti, tocando com o corpo inteiro, do dedão do pé até a ponta dos dreads naquele palco. Você não me viu, eu era só mais um jovem de cabelo de caracóis dançando alucinado grudado naquele palco de teatro, num dia em que poucos conseguiram permanecer sentados nos seus lugares...

Aquela que eu vi era a mulher mais bonita do mundo, tirando som com o corpo de um monte de coisas diferentes... Vestido vermelho, pernas de quem caminha na praia, musculosa pelos exercícios musicais com percursões nas pernas e bateria. Na época, eu era um pós adolescente de 19 anos, e tu uma mulher completa, com seus 32. Me apaixonei perdidamente. Fui atrás de você, re-devorando toda a obra do Chico César e te procurando nas percursões de cada música...

Treze anos depois, já havia guardado você naquele lugar especial das antigas paixões, que fica ali, faz parte de mim, mas não incomoda ninguém, é só mais um pedaço dos cacos... Hoje, te vi de novo, através do disco Projeto CRU. Te vi tocando tudo, com o coração e com o corpo inteiro,  no mundo virtual e digital com Alfredo Bello (Dj Tudo) e Marcelo Monteiro. Te encontrei por acaso numa bilhetinho para o Alfredo Bello, neste disco maravilhoso e pontual. Por falar nisso, você tava muito bem acompanhada hein?

Escutei com carinho e cuidado, que belezura que vocês fizeram hein? Te vejo tocando o comecinho do "Africando" com aquele tamborzinho de baqueta curva, passando um montão de sentimento diferente a cada batida... Violinos para introduzir o baixão bem tocado do Bello e o sax do Marcelo...
Sei que "Africando" foi me africando, me empolgando cada vez mais, para me preparar para escutar "Xangô". Uma das únicas músicas cantadas e vocês trazem o Junio Barreto, esse guri bão que eu conheci também há alguns dias...

Mas eu gostei muito mesmo foi de "Caminho" em que você fica fazendo um dueto com a rabeca, depois com a flauta, depois com o baixo, e só dá você naquele ritmo indiano... Mas eu quero mesmo mostrar pros meus amigos o berimbau lindo demais que tu tocas em "Desassossego", que emenda na dançante "Maxixe"...

Aí vou ver como é que cê tá hoje... Vi que trocou de nome, e agora se chama Simone Sou, ainda mais bonita, bem brasileira, dizendo que és... Vi que se juntou àquele maluco do Guilherme Kastrup em um duo, e tá fazendo uma sonzêra instrumental indescritível. Onde já se viu fazer duo de percussionista? Só tu mesmo Simone. Ainda mais agora com o Benjamin Taubkin... E tu ainda abrilhantou discos do Otto, do Junio Barreto e até da re-edição recente dos Mutantes... Vi até que tem disco solo e que está até cantando, mas ainda não consegui ouvir.

Mas só consegui saber das belezuras que tu tem tocado... De você mesmo eu não achei nada, se está casada ou solteira, se gosta de meninos ou meninas, se tem filhos, onde tá morando... Ai, eu gostava tanto daqueles rasta louco de lindos, e tu tirou agora, bem um pouquinho antes de eu te reencontrar. Mas tu tá mais bunita que nunca.

Eu tô muito bem, feliz, apaixonado, completo e tranquilo.

Um beijo cheio de carinho e um abraço apertado e cheio de energia boa,

Tiago



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Curtam aí um pouquinho no tube ou pegue O Disco de Hoje.




domingo, 31 de maio de 2015

Dia 77: 2014 - Natália Matos (Natália Matos)


Me apaixonei pelo Disco de Hoje já na primeira música. Como é bom se apaixonar, querer ver, rever, sentir, ouvir, mais e mais e mais... E de quebra cheguei no Pará, que aparece aqui no Disco de Hoje pela primeira vez. Natália Matos abre o disco com a excelente "Cio", do Kiko Dinucci, em uma versão cheia de suingue, baixo e baterias marcantes, numa sensualidade que eu não tinha sentido na versão que eu conhecia, do Duo Moviola:
Unha no tapete
Arranhando o carinho que não há
Corpo se aninhando
Contraindo pro cio transbordar
Vermelho 
Ela está muito bem acompanhada. "Com produção de Guilherme Kastrup e participações de Zeca Baleiro, Rodrigo Campos, Kiko Dinucci e Felipe Cordeiro, o disco “Natália Matos” traz canções inéditas de Dona Onete e Romulo Fróes unindo a estranheza pop de São Paulo com o suingue irresistível do Pará."

A paraense traz "Coração sangrando", da Dona Onete,  doloroso como ela só, colocando mais brega com a participação de Zeca Baleiro e  belezura com o sax único do mineiro Thiago França.

"A Flor do Segredo" é de autoria de outro paraense clássico, que eu não conhecia, o Almirzinho Gabriel, e é altamente recomendável, música, arranjos, letra e a voz da Natália...
Num segundo tu me ensinas quase tudo
Eu prometo, no próximo ponto eu desço
Eu me mudo
A gente quase combina
A flor do segredo é rimar por dentro
E tem mais um montão de coisa boa. Tem música dela, tem Arnaldo Antunes, Rômulo Froes... Dá uma ouvida aí no tubius, e se você for esperto, adquira O Disco de Hoje oficialmente e dá uma olhadinha no site da moça.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Dia 76: 2013 - O Mais Feliz da Vida (A Banda Mais Bonita da Cidade)


Não, eu não fui um dos 15 milhões de pessoas que assitiu ao vídeo viral "Oração", lançado pelos Curitibanos da "Banda Mais Bonita da Cidade" em 2011 e, portanto, só fui conhecê-los ontem. Já tinha ouvido falar, mas não me interessei em buscar... Fiquei pensando em quantas coisas a gente perde por falta de interesse, preguiça ou falta de tempo para conhecer...

O Disco de Hoje traz então o último álbum deles, chamado "O mais feliz da vida". Ok, é música alegre, bonita e fala de amor...  É piegas? Pode ser... Ser feliz não significa ser vazio, sem conteúdo. Acho que falar de amor ainda não saiu de moda, e espero que não saia. E é bonito fazer música com coisas cotidianas, como "dormir de conchinha" ou usar a chuva e o choro em um mesmo verso, falar sobre a primavera. Valorizo a beleza das coisas simples. Talvez ouvir algumas músicas que falem disso nos lembre de trazer de volta estas coisinhas nas nossas relações: carinho, atenção, ouvir, sentir.

Para mim, o ponto alto do disco é "Maré Alta", se encaixando com "Reza Para Um Querubim" letra, música e canto encantado e encantando:
Maré alta em mim
Água um dia brotará dos nós
Em nós
Vai decantar
Lágrimas que fingem que não são
Mas são
Parte da enxurrada que virá
Cheia de esquecer
Veja eles aí no Tubius, escute o disco inteiro, ou baixe O Disco de Hoje gratuitamente e oficialmente no site da Banda Mais Bonita da Cidade.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Dia 75: 1970 - Call it anything (Miles Davis)


O Disco de Hoje é homenagem ao aniversário de nascimento de Miles Davis, que hoje faria 89 anos. Mas como assim um não brasileiro aqui no Disco de Hoje? A proposta não é música brasileira? Calma pessoal, neste show inacreditável temos a participação do Airto Moreira, fazendo os sons do trompete do Miles na cuíca, ajudando a justificar o Miles aqui neste blog...

O Disco de Hoje é o show do Miles Davis no festival da Ilha de Wight, em 1970, onde se reuniram mais de 600 mil pessoas para curtir nomes como The Who, Gilberto Gil e Caetano, Emerson Lake and Palmer, The Doors, Jimi Hendrix e Jethro Tull, entre outros...

O show é na verdade uma única música de 35 minutos. Quando perguntado sobre o nome da música que tocaram, o Miles disse: "Call it Anything". Esta música faz uma incursão em vários temas do inigualável "Bitches Brew", e quando a gente tá quase entendendo, quase chegando lá, quase se iluminando, faz uma mudança brusca... É como se ele colocasse os 20 anos de carreira (que ele já tinha na época) nestes 35 minutos.

Algum músico por favor me explica o que o o Gary Bartz faz com o sax lá pelos 12 minutos da música, ele está literalmente inspirando o sax?

Se você quiser entender um pouco mais desta transição do jazz pro rock do Miles, recomendo o documentário "Miles Eletric: A different kind of blue", com depoimentos de vários que tocavam com ele na época, críticos, etc... Nesta fase, Miles Davis foi execrado pelos críticos e pela imprensa como "o maior vendido da história do jazz". Mas o caso é que ele não podia ficar imune à revolução musical da época: Hendrix, Stones, Jethro e tudo mais... O documentário termina com este show, e  depois uma homenagem de vários ao Miles (Airto, Herbie Hancock, Santanna, etc).

O Disco de Hoje eu só tenho em vinyl, então, sorry. Fique contente com o show aí no youtube ou compre na Amazon o DVD por US$ 10, o LP por US$ 17, ou o MP3 por US$ 5.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Dia 74: 2010 - Cinco Sentidos (Mateus Aleluia)


"É o ariano que ignora o africano, ou é o africano que ignora o ariano?", pergunta uma bela música do Mundo Livre SA. Na música, não tenho dúvida... Os negros criaram tudo: jazz, reggae, blues, rock, funk, soul, samba, rap, chorinho... Tudo.

O baiano Mateus Aleluia era de um grupo negro vocal chamado "Os Tincoãs", famosos nas décadas de 60 e 70. Conheci agora através do excelente Disco de Hoje, chamado "Cinco Sentidos", seu primeiro disco solo, produzido aos 66 anos. A voz de trovão do negão me lembra o mineiro Marku Ribas, que já pintou por aqui. A sua companheira neste disco, Soraia Oliveira, me lembra muito a Gal nos tempos áureos.

"Amor Cinza" é lindona demais, toca bem fundo:
Não aceito quando dizem que o fim é cinza
Se eu vejo cinza como um início em cor
Quando tudo finda, dizem, virou cinza
Equívoco pois cinza cura, poesia eu sou
Vamos celebrar, o amor há de renascer das cinzas
Vamos festejar o cinza com amor
 "Quem guiou a cega" gruda na cabeça de uma forma impressionante... Meu pequeno de 3 anos ficou cantando sem parar... "Palavra que reza" está completinha, pandeiro, cuíca, trompete, a coisa mais bunita...

Mergulha fundo, volta prás raízes de todos nós! Alimenta o africano em você...

Dá uma olhada no quanto este senhor é lindo tocando "Amor Cinza" aí no tubius ou ouça o disco inteiro ali embaixo. E não deixe de adquirir O Disco de Hoje!



sábado, 23 de maio de 2015

Dia 73: Musa Caliente (Seu Pereira e Coletivo 401)


Você acha que é impossível colocar em um EP de apenas 4 músicas reggae, carimbó, zouk, lambada,  merengue, forró nordestino, cumbia, salsa, samba-rock? Então escute O Disco de Hoje.

Ufa, consegui sair do Recife no Disco de Hoje, mas não para longe. Rumei ao norte por 120 km e cheguei à João Pessoa, com a excelente banda "Seu Pereira e Coletivo 401". Um dos integrantes, o DJ Chico Corrêa (guitarra, flauta e teclados) já tinha pintado aqui no Disco de Hoje. O vocal e maior parte das composições é de Jonathas Pereira (o Seu Pereira). 

Já gostei logo da capa do disco, em que me chamou atenção a gostosona, mulher de verdade, com suas gordurinhas, culote, celulites, não como as mulheres de comercial de cerveja... 

O videoclipe da gostosíssima "Moçambique" (que você pode ver aí embaixo no tube) me foi apresentado muito recente e foi uma porta um mundo musical até então desconhecido. Delícia de trompete e letra super interessante, depois de pensar em viajar pelo mundo, conclui:
"Penso em passar por Luanda, depois que deixar Dakar, quem vive de navegar, o vento é quem lhe comanda, mas se ela for prá varanda gritando: meu nego fique, me aquieto no colo dela, escrevo um poema pra ela, com a minha caneta bic."
O disco anterior da banda é também altamente recomendado e pode ser encontrado aqui. Pode ver uma amostrinha no clipe pesadasso de "Cabidela" ali embaixo no tubinho. E não deixe de adquirir O Disco de Hoje.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Dia 72: Trilha Sonora do Filme Amarelo Manga (Jorge Du Peixe e Lúcio Maia)


O Disco de Hoje continua viajando pelo Recife, agora com som e imagens. Tenho que dar um jeito de ir em pessoa, corpo e alma. Não vou falar aqui do filme Amarelo Manga, que eu tenho que re-assistir. Vamos direto para a trilha sonora. Composta por Jorge Du Peixe e Lúcio Maia (Nação Zumbi), é um disco para se ouvir do começo ao fim, com suas vinhetas, intervenções e/ou falas do filme.

Até as músicas que existem em outros disco da Nação ficam mais interessantes dentro do contexto deste álbum. Por exemplo, "Tempo Amarelo" depois de uma fala bela e suja ganha um gostinho especial. "Amarelo das doenças, das remelas dos olhos dos meninos, das feridas purulentas, dos escarros, das verminoses, das hepatites, das diarréias, dos dentes apodrecidos..."

Gosto especialmente dos sons de "Gafieira no avenida", com um contrabaixo marcante e divertido, e da música de entrada, "Defunkt", funk instrumental cheio de quebras... Especial.

Escute "Gafieira na Avenida", veja o trailer, assista o filme e adquira O Disco de Hoje.