Uma seleção cuidadosa dentro da aleatoriedade cuidadosamente direcionada dos discos que eu ouço. E sinto.
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domingo, 10 de janeiro de 2016
Dia 86: Paraíso da Miragem (Russo Passapusso)
O Disco de Hoje deve começar a ser degustado pela capa e contracapa (um forte motivo para eu ter aduirido o LP). Multicolorida, bonita, complementares: os nomes das músicas na contracapa são ilustrados na mesma posição da capa, muito bacana.
Russo Passapusso tem mais de uma década de carreira (Baiana System, Bemba Trio) e este é o seu primeiro trabalho solo. "Paraíso da Miragem" é uma ótima forma de começar a se acostumar com o Russo, mas é bem diferente dos seus outros trabalhos.
Anelis Assumpção deixa sua marca na maravilhosa e dolorosa "Sem Sol", e o álbum ainda tem participação de BNegão, Edgar Scandura e Marcelo Jeneci, com o toque infalível do Curumin como produtor. Impressionante como a cena musical do Brasil tem contado com várias combinações de alguns elementos-chave...
A minha preferida é "Sangue do Brasil", mas na verdade ela parece se encaixar perfeitamente com a anterior ("Areia") e a próxima ("Relógio"). Na verdade, é um álbum para se ouvir do começo ao fim, de preferência com alguns repeats...
Curte aí uma excelente versão de "Relógio" no tubius, rodeado de feras (Saulo Duarte, Curumin, José Nigro), compre o LP ou abaixe O Disco de Hoje.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Dia 74: 2010 - Cinco Sentidos (Mateus Aleluia)
"É o ariano que ignora o africano, ou é o africano que ignora o ariano?", pergunta uma bela música do Mundo Livre SA. Na música, não tenho dúvida... Os negros criaram tudo: jazz, reggae, blues, rock, funk, soul, samba, rap, chorinho... Tudo.
O baiano Mateus Aleluia era de um grupo negro vocal chamado "Os Tincoãs", famosos nas décadas de 60 e 70. Conheci agora através do excelente Disco de Hoje, chamado "Cinco Sentidos", seu primeiro disco solo, produzido aos 66 anos. A voz de trovão do negão me lembra o mineiro Marku Ribas, que já pintou por aqui. A sua companheira neste disco, Soraia Oliveira, me lembra muito a Gal nos tempos áureos.
"Amor Cinza" é lindona demais, toca bem fundo:
Mergulha fundo, volta prás raízes de todos nós! Alimenta o africano em você...
"Quem guiou a cega" gruda na cabeça de uma forma impressionante... Meu pequeno de 3 anos ficou cantando sem parar... "Palavra que reza" está completinha, pandeiro, cuíca, trompete, a coisa mais bunita...Não aceito quando dizem que o fim é cinza
Se eu vejo cinza como um início em corQuando tudo finda, dizem, virou cinzaVamos celebrar, o amor há de renascer das cinzas
Equívoco pois cinza cura, poesia eu sou
Vamos festejar o cinza com amor
Mergulha fundo, volta prás raízes de todos nós! Alimenta o africano em você...
Dá uma olhada no quanto este senhor é lindo tocando "Amor Cinza" aí no tubius ou ouça o disco inteiro ali embaixo. E não deixe de adquirir O Disco de Hoje!
terça-feira, 24 de junho de 2014
Dia 34: 1972 - Transa (Caetano Veloso)
É o disco de MPB mais rock n` roll de todos. Foi a frase do baixista do Festim Circense, meu amigo Alan Delay, ao ser apresentado a essa obra prima!
Caetano, durante seu exílio em Londres, aproveitou para pinçar as referências do rock e colocar rebeldia no seu saudosismo.
Em 1972 o disco foi lançado no Brasil, com um encarte muito doido, preto com vermelho e cheio de abas... Lembro de escutar esse disco a toda hora na casaberta, um sebo de Itajaí que trabalhei por bons anos quando muleque.
O disco é todo arranjado por Jards Macalé e mais uma galera, que deixam a psicodelia e o tom progressivo bastante evidente nas referências Brasil principalmente às da Bahia. As linhas de Baixo são geniais.
O disco começa com You don't know me, depois Nine Out of Ten, com um reggae-rock progressivo do começo ao fim. Depois segue para Triste Bahia, que vira uma quebradeira só. It's a long Way, Mora na Filosofia que foi composta por Monsueto Menezes e Arnaldo Passos) segue para Neolithic Man e termina com Nostalgia, onde a frase ressoa: "That's What Rock'n Roll Is All About".
escuta aí! ou adicione à coleção.
Caetano, durante seu exílio em Londres, aproveitou para pinçar as referências do rock e colocar rebeldia no seu saudosismo.
Em 1972 o disco foi lançado no Brasil, com um encarte muito doido, preto com vermelho e cheio de abas... Lembro de escutar esse disco a toda hora na casaberta, um sebo de Itajaí que trabalhei por bons anos quando muleque.
O disco é todo arranjado por Jards Macalé e mais uma galera, que deixam a psicodelia e o tom progressivo bastante evidente nas referências Brasil principalmente às da Bahia. As linhas de Baixo são geniais.
O disco começa com You don't know me, depois Nine Out of Ten, com um reggae-rock progressivo do começo ao fim. Depois segue para Triste Bahia, que vira uma quebradeira só. It's a long Way, Mora na Filosofia que foi composta por Monsueto Menezes e Arnaldo Passos) segue para Neolithic Man e termina com Nostalgia, onde a frase ressoa: "That's What Rock'n Roll Is All About".
escuta aí! ou adicione à coleção.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Dia 22: 1969 - Caetano Veloso (Caetano Veloso)
Com mais de um mês de Disco de Hoje, e ainda não postamos nenhum da santíssima trindade da Música Popular Brasileira: Caetano, Gil e Chico Buarque. Não tenho referência alguma para a afirmação de que esta é a tríade (apenas uma impressão pessoal), e não saberia dizer quem é o pai (Chico?, apesar de ser o mais novo), o filho (Caetano?) e o espírito santo (Gil?). O difícil é escolher qual disco postar de cada um, mas como não temos a preocupação de escolher o melhor disco, coloco um que escutei ontem e gostei muito.
Este é o álbum branco do Caetano, seu segundo, uma das muitas homenagens aos Beatles, assim como "Qualquer Coisa" é o Let it Be. Apesar das chatíssimas (na minha humilde opinião) "Marinheiro Só" e "Atrás do Trio Elétrico", o álbum é excelente. É todo marcado por solos de guitarra, barulhinhos e psicodelia.
"Irene" abre o álbum com um divertido erro de gravação do Gil, que se esquece de cantar. O que é "The Empty Boat"? Angustiante, arrepiante, mostrando bem a fase em que o disco foi feito: prisão, pré-exílio, medo. Será preciso sofrimento para produzir música boa? "Lost in Paradise" é genial nas suas transições, acalmando e infernizando o ouvinte a todo tempo. "Os Argonautas" é um fado, uma referência ao lusitano que Caetano tanto gosta. Ainda tem "Carolina" do Chico, a tristíssima "Chuvas de Verão" e a poesia concreta de "Acrilírico". Para fechar com a chave de ouro da psicodelia, "Alfomega" do Gil, uma sonzera dançante muito louca.
Deguste no tubius, ou aumente alguns megabytes de qualidade no seu HD.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Dia 13: 1998 - Com Defeito de Fabricação (Tom Zé)
Na dúvida, poste os dois. O Disco de Hoje ficou um para depois, mas não podia ser muito depois. Na descrição deste disco, o próprio Tom Zé diz que as músicas são recortes, pequenas células, citações e plágios e finaliza: "Podemos concluir, portanto, que terminou a era do compositor, a era autoral, inaugurando-se a Era do Plagicombinador, processando-se uma entropia acelerada."
A primeira música que eu ouvi de "Com Defeito de Fabricação" foi "Xiquexique", em um forró de Belo Horizonte no fim do século passado. Me impressionou a mágica produzida pelo balão passado nos dentes do começo desta música, que resultava em um delírio coletivo, todas as pessoas do ambiente, sem exceção, se levantando para dançar insanamente. Ao fim da música, um arrefecimento, uma sensação de orgasmo coletivo, o salão se esvaziava, o bar ou fumódromo se enchia. Fui procurar saber o que era e, surpresa, era Tom Zé.
"Curiosidade" tranquila de música, assustadora de poesia. "Olho do Lago" é moderna, teclado, baixo forte, música linda. Na verdade, bom do começo ao fim.
Tá difícil de encontrar este disco para abaixar, pergunte-me como. Mas vai um gostinho no iutubiu.
Dia 12: 1976 - Estudando o Samba (Tom Zé)
O Disco de Hoje (que foi ouvido e pensado ontem, mas postado hoje) foi difícil de decidir, fique em dúvida entre dois do Tom Zé. O novo (mas não muito) "Defeito de Fabricação" em mp3, no som da TV, e o velho "Estudando o Samba" em vinil na vitrola Philips de 45 anos. Talvez até por influência do tipo de mídia, ficamos com o velho.
Hoje muito se criticou o Tom Zé porque ele apareceu na TV cantando funk com uma tal de Popozuda. O cara é um senhor de 77 anos, que inventou tanta coisa na música brasileira, tem mais de 25 discos, fundador do Tropicalismo. Sempre este à frente do seu tempo, e talvez por isto nunca caiu no gosto da grande massa. Deixe o cara cantar com quem ele quiser. Se você assiste à Rede Globo, você corre o risco de ver este tipo de coisa.
Uma aquisição recente, re-lançamento em vinil 180g pela Polysom, tem uma qualidade, um som limpo inacreditável, com os graves no devido lugar, como os LPs novos que estão sendo lançados. A capa é interessante, a corda (acorda) e o espinhento arame farpado em forma de ondas, interprete como queira. O nome das músicas é curioso, quase todas as músicas têm o nome monossilábico (Mã, Toc, Tô, Vai, ui, Dói, Mãe, Hein, Só, Se).
"Mã" tem uma marca registrada do Tom Zé, um vioção bem característico, e já nesta temos os sons parecidos com buzinas, que depois foram aprimorados até a criação de um instrumento musical do tamanho de uma parede formado por diferentes tipos de buzinas. Estas buzinas também são usadas em "Toc". "Tô" é um sambinha genial, com o refrão que eu costumava cantar para os meus alunos, até que alguém entendeu errado e deu briga: "Eu tô te explicando prá te confundir, eu tô te confundindo prá te esclarecer...
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