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sábado, 2 de agosto de 2014

Dia 49: 2001 - Samba Solto (Alda Rezende)


O Disco de Hoje me leva para uma década atrás, quando eu recebi aqui no extremo sul do Brasil, por Correios, uma caixa cheinha de mineiridades. Entre muffins, queijo, pequenas amostras de cachaça, e palheiros Piracanjuba, veio dois CDs gravados, com lindas capas artesanais carinhosamente confeccionadas pela amiga que me enviou estas doces lembranças. Um deles era o "Samba Solto", da mineiríssima Alda Rezende.

Disco bem arranjado, lindo, tranquilo e gostoso de ouvir. "Insistência", do John Ulhoa (Pato Fu), tem um tem um montão de sonzinhos, uma percursão bem tocada, uma letra profunda. "O Cego" e "Menina dos Olhos D'água" chamam atenção pelo arranjo e beleza do cantar, com uma criativa percursão em água e participação da Ná Ozetti e Sérgio Pererê em "Menina".

Dá uma degustada aí no youtube ou agregue valor à sua discoteca baixando O Disco de Hoje.

domingo, 18 de maio de 2014

Dia 19: 1976 - Geraes (Milton Nascimento)


Eu não estava querendo repetir artistas neste início do Disco de Hoje. Acontece que minha parceira colocou este disco do Milton Nascimento para tocar ontem, e daí não tive escolha, não havia como Geraes não ser o Disco de Hoje. Rasga do começo ao fim.

É curioso porque é um dos poucos álbuns do Miltão que não tem a maioria das músicas de sua composição. Temos composições de Nelson Ângelo, Tavinho Moura, Violeta Parra, Chico Buarque, Nelson Arraya, Ronaldo Bastos, Fernando Brant.

"Fazenda" é o retrato do interior de Minas Gerais (lembro da fazenda em Santa Isabel), com "água de beber, bica no quintal, sede de viver tudo, (...) e a meninada respirava vento até vir a noite e os velhos falavam coisas desta vida, (...) tios na varanda, jipe na estrada e o coração lá". "Volver a Los 17", na voz de Mercedes Sosa arrepia sempre, por sua letra e o arranjo vocal com o Miltão. "Menino" é psicodelia pura, aumentando gradualmente sua força, sua poesia, seu tom e seu ritmo, até se tornar insuportável e o Miltão fazer o que o ouvinte quer fazer, que é gritar e gritar e gritar.

"O Que Será (À Flor da Pele)", do e com Chico Buarque, tem neste álbum sua versão mais bonita e profunda. E voltamos ao interior de Minas com "Carro de Boi". "Caldera" é instrumental (até a voz é instrumental), muito indígena, com um toque flamenco, linda e empolgante, com seus solos de flauta andina. Ainda tem "Promessas de Sol", desta vez com sua letra cortante, "você me quer forte, e eu não sou forte mais (...)". "Lua Girou" é linda demais, "eu bem queria fazer um travesseiro dos seus braços", violão, percursão e as múltiplas vozes do Milton. Ainda tem a super alegre "Circo Marimbondo" que faz um contraste com a tristeza de "Minas Gerais".

E ouvindo, me lembrei de um papo com ilustres músicos e artistas de Belo Horizonte, que adoravam com todas as forças Dorival Caymmi (nada contra) e afirmavam que já não aguentavam o Milton por causa da repetição dos seus temas: carro de boi, estradas empoeiradas, fazenda, mineiridade. Só hoje percebo quanta bobagem, não tem como esgotar a mineiridade.

É um disco de ouvir do começo ao fim. Ouve aí no tubiu ou abaixe completo.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Dia 1: 1972 - Clube da Esquina (Milton Nascimento e Lô Borges)


O disco de hoje foi fácil escolher, pois foi o primeiro que ouvi, 2 LPs na vitrola enquanto preparava o café da manhã, e único até esta postagem. Mas de qualquer forma, seria o disco escolhido, pois faz parte da minha trajetória, da formação da minha "mineridade", da minha alma.

Não me lembro quando ouvi pela primeira vez. A impressão que dá é que algumas músicas dele estão impressas na minha memória desde sempre, e acredito que em grande parte dos mineiros da minha geração.

Apesar do disco ser atribuído ao Milton e Lô Borges, na verdade o album foi um "juntamento" de um monte de mineiros (irmãos Borges, Fernando Brant, Flávio Venturini, Wagner Tiso, Toninho Horta e vários outros) em uma época de efervescência musical de Minas, com uma forte influência do rock que chegava da Inglaterra. Resultou numa estranheza linda, com diversos compositores e músicas muito diferentes umas das outras.

O interessante é que eu demorei a escutar a obra completa. Conhecia a maior parte das músicas, de coletâneas do Milton Nascimento ou rádio. Mas tive uma bela surpresa quando escutei do começo ao fim pela primeira vez. O album duplo tem de tudo. Rock'n roll em "Tudo que você podia ser", "Nada será como antes" e o finalzinho de "Um girassol da cor do seu cabelo" (queria que a levada rock desta música continuasse por mais alguns minutos). Tem um samba de rasgar o coração em "Me deixa em paz", e as populares "Trem Azul" e "Paisagem da Janela" e a lindíssima "Clube da esquina n° 2" em uma versão ainda sem letra. O grupo é tão misturado que, segundo os sabichões da Wikipedia, está enquadrado em Música experimental, Jazz Fusion, Psych Folk e Rock Progressivo.

Me impressiona a modernidade do disco, que já completou seus 40 anos.

Figura entre os 10 primeiros em qualquer lista respeitável dos melhores discos brasileiros. Tem que ouvir de cabo a rabo!