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domingo, 17 de maio de 2015

Dia 71: 2011 - Lira (José Paes Lira "Lirinha")

O Disco de Hoje me fez refletir, o que é que Recife tem? Tem Chico Science, tem Nação Zumbi, tem Mundo Livre S.A, tem Otto... Caio no erro de pensar que são apenas frutos da efevercência do manguebeat do começo dos anos 90. Com um pouco mais de cuidado, constato que uma revolução da importância do manguebeat não nasce do zero. Vamos pesquisar... O que mais Pernambuco tem? Tem Luiz Gonzaga, tem Alceu Valença, tem Geraldo Azevedo, Azulão, Bezerra da Silva, Lula Cortês, tem o Lenine, que alguns acham que surgiu do nada por volta do ano 2000, na novela da globo. O que mais? Tem Karina Buhr, tem Siba, tem Cordel do Fogo Encantado.

Recife tem algo especial, tem uma inspiração, uma dor... Tem o mangue. Tem público, tem gente pulando, gritando, dançando, sentindo a música. Pernambuco tem o sertão. Daí em quase chego lá... Pernambuco tem o maracatu, com seus sons, símbolos e sincretismo. Tento imaginar o que seria da música brasileira sem Pernambuco. A ausência deste pequeno estado causaria um rombo considerável e irreversível na música do mundo.

O Disco de Hoje é o primeiro disco solo do Lirinha, alma do extinto Cordel do Fogo Encantado. Tive a oportunidade de vê-los ao vivo em Belo Horizonte em 2002 e só me vem uma coisa à memória: transe coletivo. Não era uma banda, eram feiticeiros. 

Mas não ouça Lira esperando cordel... Mais maduro, mais dor, mais guitarras, menos percussões, mais psicodelia... Tem a produção e bateria do Pupillo (Nação Zumbi) e teclados do Bactéria (Mundo Livre S.A.). Só isso já merece atenção. Lira ainda tem a participação superespecial do Otto, Ângela Ro Ro, Lula Cortês e Fernando Catatau.

Vamo logo para algumas faixas. Fui apresentado à excelente "Ela vai dançar", que me arrebatou com força. Me fez pensar nas inúmeras festas dançantes de um homem só que já promovi em casa, provavelmente em alguma quarta-feira.

"Noite fria", um chorinho com cavaquinho, trompete cortante, e um trio de vozes femininas. Uma viagem pelo mundo, preso ao mesmo amor, à mesma melancolia. "Valete" traz a voz de Ângela Roro e Otto, excelente música, excelente letra e arranjos, distorcendo a guitarra acentuando a dor da poesia.

Veja o lindo clipe em animação de "Ela vai dançar" e, depois mergulhe no Disco de Hoje.



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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dia 44: 2011 - Nó na orelha (Criolo)


O Disco de Hoje foi premiado de montão, recebendo da Rolling Stone o melhor disco de 2011 e a melhor música deste ano. Demorei um pouco para escutar com cuidado, com leveza, com vontade de gostar. Talvez porque eu não seja lá muito fã do gênero musical que está enquadrado (rap?). Mas "Nó na Orelha" um pouco de tudo, rap, brega, afrobeat e outros estilos para os classificadores de plantão. De rap mesmo, propriamente dito, temos apenas "Grajauex", "Sucrilhos" e "Lion Man".

"Não existe amor em SP", a música premiada (single) é lindona, música e letra, um soul do fundo da alma, violinos, arranjos bem cuidados. "Bogotá" lembra em ritmos e  sopros o Fela Kuti, que depois é reverenciado na letra de "Mariô", um afrobeat cheio de percursão e empolgante em parceria com o fenomenal Kiko Dinnuci, que já passou por aqui. Temos ainda "Samba Sambei", no estilo mais reggae/dub. Prá fechar, "Linha de Frente", um sambinha prá lá de bom.

Deguste aí ou adquira imediatamente O Disco de Hoje.


terça-feira, 29 de abril de 2014

Dia 9: 2011 - Defenestra (Pequena Morte)


O Disco de Hoje eu ouvi em homenagem ao meu grande amigo, Zito Franco, que está de aniversário de hoje (vocalista, guitarrista e compositor). Ouvido, eleito o Disco de Hoje, por sua beleza, leveza, qualidade e alto astral.

Pequena Morte existe desde 2008 e tem um estilo muito próprio de ska, segundo eles mesmos, "abrasileirado, autoral e pouco ortodoxo". O álbum "Defenestra" conquista logo na primeira audição os arranjos limpos de guitarras, trombone, bateria, baixo e percursão. Música para pedalar, "gastar as solas do sapato", namorar ou simplesmente relaxar. Remédio infalível para a depressão de segunda-feira. Experimente colocar uma criança de menos de 4 anos para ouvir e veja o que o disco faz com ela, vai começar a pular e dançar alucinadamente.

Vale comentar a "presença de palco" dos caras, a sintonia com o público que faz com que ninguém fique parado em seus shows. Contagiante. Em Belo Horizonte, show do Pequena Morte é a certeza de uma noite festiva, gente bonita e boas vibrações.

Do Disco de Hoje, gosto de todas as faixas. Acho belíssima a "Xamorrê", bem tranquilinha e gosto muito de "C.V." que muito bem arranjada, linda poesia, com transições entre um sambinha bem gostoso e um ska animado. "Bom" também me chama a atenção, com seu pandeiro bem tocado, impossível não dançar. 

O disco completo pode ser baixado gratuitamente no site da banda: http://pequenamorte.tnb.art.br/

Degusta abaixo o videoclipe muito bacana de "Bom".