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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dia 41: 2009 - Vagarosa (Céu)


Quando conheci a Céu, no seu primeiro album, de 2005, me apaixonei. Foi muito bom ver uma menina nova fazendo música boa e diferente. Demorou 4 longos anos para ela lançar O Disco de Hoje, o excelente "Vagarosa". Fazia tempo que eu pensava em promovê-la ao Disco de Hoje, sempre postergando por ouvir outras coisas. Desta vez não teve jeito, ouvimos este álbum em Macacos, fazendo pizzas, com crianças brincando na mata, papeando com um amigo das antigas, que definiu o álbum como uma obra-prima da MPB.

O vozeirão da Céu contrasta com sua aparência de menina. "Vagarosa" foi aclamado pela crítica internacional e ganhou um Grammy (se é que isto tem alguma importância). Tem 12 músicas dela, com parcerias com Fernando Catatau, Siba, Beto Villares, a filha do Itamar Assumpção, Anelis e Thalma de Freitas. As gravações ainda contam com participação de Luiz Melodia e Los Sebozos Postizos. 

Após um rápido prelúdio ("Sobre o amor e seu trabalho silencioso"), vem arrebentando com "Fiz minha casa no seu cangote" na segunda faixa ("Cangote"). Uma das minhas preferidas é "Bubuia" tem uma riqueza de sons, instrumentos e vozeirões femininos misturados. "Nascente" também é excelente, com o trompetista Guizado (excelente) gritando forte sobre o instrumental do Siba num funk jazz (se é que dar prá definir). "Vira Lata" tem o estilo inconfundível do grande Luiz Melodia, sambinha gostoso.

Ainda tem "Rosa Menina Rosa" do Jorge Ben, quase irreconhecível, numa versão prá lá de psicodélica. "Sonâmbulo" é definido (por aqueles que gostam de definir) como um afrobeat orgânico com estilo jamaicano (?!), com um refrão que não sai da cabeça: "é bom desconfiar dos bons elementos".

Vale muito a pena ter, baixar, ouvir e re-ouvir, de preferência com fones de ouvido, para atentar para os ricos detalhes. Adquira o Disco de Hoje ou ouça no tubius.


domingo, 11 de maio de 2014

Dia 17: 2009 - Pequeno Cidadão



No dia das Mães, o Disco de Hoje é presente para os filhos. É um excelente disco infantil, para as crianças de todas idades. Tem rock, pop, samba, rap. As letras são infantis, mas diferentes do comum. Afinal, é um projeto do grande Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra (IRA), Taciana Barros e Antônio Pinto, junto com seus filhos de todas as idades, que tocam, cantam e encantam.

Adoro o Arnaldo Antunes e me espanta que ainda não tenha aparecido aqui no Disco de Hoje. O álbum começa com "Pequeno Cidadão", um rock animado com letra criativa sobre direitos e deveres. "Futezinho" é um sambinha gostoso, com arranjos inteligentes de teclado e viola. "Tchau Chupeta", bem calminha, linda, com a voz grave e marcante do Arnaldo, poesia linda e emocionante. "Larga a Lagartixa" um rock pesado com letra de trava-línguas que, cantado pelas crianças, é divertidíssimo.

Talvez você só goste se for pai ou mãe, mas eu acho uma sonzera. Ainda mais no mundo da galinha pintadinha.

Abaixo o clipe de "Pequeno Cidadão", mas talvez você queira ouvir mais.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Dia 0: 2009 - Graveola e o Lixo Polifônico (Graveola)




O disco de hoje não é de hoje. Na verdade foi o disco de ontem (domingo ensolarado, cuidando do jardim), mas como só hoje eu decidi dedicar alguns minutos da minha vida a este blog, decidi não deixar de postar. Até porque já indiquei o Graveola a tantos amigos, que acho que eles tinham que aparecer aqui logo. Então vamos para mais um grupo mineiro.

Conheci o Graveola há uns 3 anos, não me lembro como nem porque. Só lembro que não foi indicação de nenhum amigo. Talvez em uma destas fases de busca desesperada por música brasileira boa e nova, parecida com a que estou passando agora.

Este é o primeiro disco da banda. Logo após baixar do site oficial (http://graveola.com.br/home/), antes de começar a ouvir, você vai provavelmente se assustar com o "gênero" atribuído a cada música, mostrado pelo seu programa de áudio: tem tango, rock, infantil, jazz, bolero, blues rock, balada e world music. Atualmente, com tanta mistura, penso que o enquadramento de música em gêneros é completamente dispensável. Mas, neste disco, a classificação está bem interessante, provavelmente feita pelo Graveola mesmo.

Já na primeira faixa do álbum ("Outro modo"), a voz de um dos vocalistas (José Luis Braga, o da voz mais grave) me cativa e enche de curiosidade, pois sempre tive a nítida impressão de ser uma voz conhecida de outra banda, mas ainda não consegui identificar qual.

E com poesia, múltiplos instrumentos, pedaços confundidos de outras músicas e contradições eles seguem surpreendendo, música após música. "Supra Sonho" é um sambinha muito alegre que contradiz a letra triste triste. "Amaciar dureza" é de arrepiar, letra e música. Parece que faz referência a uma música dos Secos e Molhados: "por onde passou, sentiu o seu destino/ despedaçado/ atado, vidrado, trincado, cortado/ seus vícios, seus mortos, seus caminhos tortos/ na vida, amaciar dureza/ na vida amaciar..."

"Dois lados da canção" parece brincar com Roberto Carlos ("quando eu ouço a canção/ que eu fiz prá você") e com Os Mutantes ("eu juro que é melhor/ enfim") e, com certeza, com outras canções que eu ainda não identifiquei.

Depois temos quatro músicas que parecem brincadeira, com direito a um bolero ("Benzinho"), uma releitura do pagode horroroso da barata da vizinha. E para terminar o disco, fizeram a maravilhosa  música de altos e baixos, com um espetacular solo de sax: "Cidade".

Aí vai uma degustação!