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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Dia 89: 2016 - Höröyá





Höröyá: Autonomia, liberdade, dignidade em corpo, mente, espírito.
Que alma tem um povo de um passado sem glória?
O que pode este povo, privado de história?
Que corpo tem futuro, passado, presente, se a herança é a dor, chicote, corrente, na alma, na mente?
Servindo a ganância alheia, vivendo, morrendo, descrente, neste pedaço de terra, amontoado de gente…

Minoria luta, maioria consente…
Minoria luta, maioria consente…

Se de sangue e estupro somos feitos, nós então quem somos?
O bandeirante, o missionário ou o índio?
O capitão do navio negreiro, capanga, o capitão do mato, o escravocrata ou o quilombola, o capoeira?
O que explora e destrói, ou o que cultiva a terra?
Ou somos nós a terra?
Essa terra, nação diversa, sem eixo, nem rumo.

Dos filhos órfãos que aqui pariu, pátria amada!
De passado em diante tem futuro?
Que futuro tem?
Pra quem?

Que sejam eternos todas as pessoas, grupos e espaços que lutam e lutaram contra as restrições de liberdade, a opressão, a escravidão, o genocídio.
Todas as revoltas, fugas e submissões de resistência.
A todas que queimaram engenhos, que se recusaram às missões, que envenaram e subverteram ordens.
A todos que resistiram…

O Disco de Hoje está sem palavras. Download no site oficial, ouça no Spotify.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Dia 69: 2006 - 11:11 (Tita Lima)


O Disco de Hoje traz mais uma da série das mocinhas paulistanas de canto fácil, suave e apaixonante. Este é o primeiro album solo da Tita Lima, com muitas composições suas e grandes parceiros como Apollo 9 e Cyro Bittencourt. Maravilhosamente arranjado e muito bem acompanhada, o que era de se esperar da filha do Liminha, ex mutantes e um dos produtores mais badalados do Brasil.

Temos algumas músicas que não são dela, como uma surpreendente releitura de "Dias de Janeiro" (Otto), que pouco se parece com a versão original, e que está belíssima.

Adoro o balanço de "Catatônica". Mas uma das que mais me encanta, em letra e arranjo, é a bossinha "Maremorso", bem como o jogo de palavras do título da música. 

"Traz um alívio" não alivia, machuca. "Podia até me equilibrar. Mas quanto mais subia, mas frio sentia. De novo tudo vira vício. Eu tava atrás do desapego, até você chegar."

O disco começa e termina em alto astral, com "A conta do Samba" no início, "Molho Ble" e uma versão animadíssima do "Essa moça tá diferente" do Chico fechando.

Dá uma olhada no clipe aí do youtube, ou adquira já O Disco de Hoje.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Dia 68: 2012 - Trabalhos Carnívoros (Gui Amabis)


O Disco de Hoje é um tanto melancólico e profundo. Gui Amabis apareceu aqui no Disco de Hoje no excelente disco Sonantes, junto com Céu, Dengue e Pupilo (do Nação Zumbi). Ele também é produtor e foi responsável por várias excelentes trilhas sonoras ("Bruna Surfistinha", "Senhor das armas", etc) e parece ter grande responsabilidade nas composições e arranjos dos dois primeiros discos da Céu, sua ex.

Este é um disco bem diferente do seu primeiro, que conta com um montão de participações (Ceu, Tulipa, Criolo, Tigana, Lucas Santanna) e que ele propriamente canta poucas músicas. "Trabalhos Carnívoros" é triste. Perguntado se esta tristeza está relacionada com a sua separação da cantora Céu, com quem foi casado, ele disse: "Não vou dizer que não. Todo mundo toca para extravasar alguma coisa. Acho estranho quando o cara fala faço música para mim. Mas as canções não falam diretamente sobre isso". Mas como bem disse o poetinha, "prá fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza". "Trabalhos Carnívoros" é um obra bela, muito bela. Separar-se da maravilhosa Céu deve ter sido triste, doloroso.

A primeira faixa, que dá nome ao disco, tem um arranjo de bateria aliado a uma guitarra suja, cello de Fernanda Monteiro e voz e poesia profundas, boa demais. "Um bom filme" também vale muito a pena: "o custo de todos os vícios, do forte ao mais agressivo, das coisas que a gente se lembra..."

Veja o clipe, ou ouça o disco completo no tubius. Melhor que isto, adquira logo O Disco de Hoje.




segunda-feira, 9 de março de 2015

Dia 63: 2004 - Samwaad: Rua do Encontro (Ivaldo Bertazo e Benjamim Taubkin)


O Disco de Hoje é um espetáculo! "Samwaad – Rua do encontro apresenta uma fusão harmônica das culturas indiana e brasileira. O espetáculo reúne 54 bailarinos não-profissionais do projeto Dança Comunidade, coordenado por Ivaldo Bertazzo, que ensina técnicas de seu método de reeducação do movimento aos “cidadãos dançantes” de comunidades carentes." Além disto, reuniu 31 ritmistas de escolas de samba de São Paulo.

É isso mesmo, cítaras, percursão indiana, piano, surdos, tamborim, reco-reco e até uma viola de chorinho. A mistura é inusitada, surpreendente e emocionante. Serve prá meditar, ou prá dançar.

Abra sua mente, explore esta fusão!

Você pode ver o espetáculo completo no Tubius, abaixar O Disco de Hoje ou comprar o DVD na loja do SESC SP.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Dia 61: 2012 - Etiópia (Sambanzo)


Thiago França já apareceu (embora escondidinho) diversas vezes aqui no Disco de Hoje. Participa ativamente do Metá Metá de Kiko Dinucci, e do psicodélico e quase indigesto Marginals. O saxofonista ainda acompanhou as feras Criolo, Céu, e Romulo Froés em outros trabalhos.

Neste excelente e lisérgico disco, seu saxofone grita à frente de uma sonzera empolgante e festiva. Com o baixo frenético de Marcelo Cabral, marcando a cadência, muita percursão, bateria toda quebrada e guitarra de Kiko Dinucci, é um disco de ouvir de cabo à rabo e escolher algumas para o ápice de uma boa festa.

"Etiópia", a música que dá nome ao disco, foi a primeira que eu escutei, dentro de uma excelente coletânea prá fazer gringo feliz chamada "Daora: Underground Sounds of Urban Brasil", que me foi apresentada por uma amiga de Malta (thanks Sarah). Dali, fui buscar outros trabalhos da banda e tive a grata surpresa de ver que o Thiago França disponibiliza gratuitamente no seu site muito do que já fez. Vale visitar e baixar e ouvir TUDO.

Dá uma degustada ao vivo aí no tubius ou faça uma visitinha em http://thiagofrancaoficial.blogspot.com.br/ e adquira esta e outras jóias.






sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Dia 60: 2014 - Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários (Anelis Assumpção)


O Disco de Hoje surgiu do disco de ontem, a belíssima homenagem à Péricles Cavalcanti. Eu já havia ouvido alguma coisa da Anelis Assumpção, junto com o BiD e no DonaZica, me apresentado aqui pelo companheiro de Blog Arnaldo Russo. Mas só agora adquiri um album completo da moça, que tem o sangue, formação e capital cultural herdado do seu pai, o grande vanguardista Itamar Assumpção, um homem certamente à frente do seu tempo.

O Disco de Hoje é belo, prá cima, bem arranjado, cheio de brincadeiras geniais com palavras e poesia. Resumindo, bão dimais da conta. Tem reggae e ska, tem rock, tem rap, tem MPB (se é que MPB ainda pode ser considerado um tipo musical). Bem boa a faixa "Inconcluso", com solos de guitarra bem limpinha, trombone bunitasso do Edy Trombone. "Song to Rosa" tem a participação da minha queridinha Céu, com uma transição de rock prá reggae...

Não perca seu tempo e abaixe imediatamente e gratuitamente O Disco de Hoje no site oficial da cantora ou dá uma degustada no tubius.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Dia 60: Mulheres de Péricles (Várias Artistas)

Aponto no Disco de Hoje minha ignorância musical ao confessar que apenas conhecia Péricles Cavalcanti de nome e nunca tinha associado a música à pessoa. Conhecia diversas músicas dele, principalmente na voz do Arnaldo Antunes ("Eva e Eu" e "Nossa Bagdá") e Caetano ("Negro Amor" e "Elegia"), sempre atribuindo estas canções às vozes que me apresentaram.
Daí, agora, saindo do forno, esta obra de arte musical, poética e visual me é presenteada gratuitamente apresentando outras composições lindíssimas deste cara, cantado e "abençoado pelas novas meninas do Brasil" (CéU, Karina Buhr, Juliana Perdigão, Blubell, Tiê, Anelis e Serena Assumpção e outras lindonas). 
Destaco a excelente versão de "Negro Amor", que por sua vez é uma versão de "It's all over now, Babe Blue" do Dylan, que eu já tinha ouvido com Belchior e com Humberto Gessinger. Mas nunca tão bem como com a Karina Buhr nesta versão. Sou suspeito para destacar a Céu em "Blues" pela paixão que tenho pela mocinha. Gostei um montão de "Clariô", com Marietta Vidal e Mairah Rocha.
Além do mais, o disco é uma trilha para buscar outros trabalhos dessas novas vozes.
Então desfrute o site lindo, cheio de desenhos e baixe o disco oficialmente em http://www.mulheresdepericles.com/.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Dia 58: 2008 - Sonantes (Sonantes)


O Disco de Hoje é único e efêmero. Um juntamento de amigos que moram em um mesmo condomínio em São Paulo resultou nesta linda obra. Os amigos são CéU, Gui e Rica Amabis, Dengue e Pupilo (Nação Zumbi), com participações especiais de mais uma moçada de peso.

Curioso que até hoje eu pensasse que era um disco de apenas 4 músicas e mesmo assim ia colocar como o Disco de Hoje. Quando fui pesquisar, fui agraciado pela surpresa de mais 6 músicas e fiquei feliz demais.

Destaque para "Marimbó", num suingue delicioso enfeitado pela voz da CéU e para a instrumental "Looks like to kill", tema de aventura. A tranquilidade em idioma que parece africano em "Itapeva" é demais também.

Dá uma degustada aí no tube ou adquira imediatamente o Disco de Hoje.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Dia 56: 2013 - Bixiga 70 (Bixiga70)





O Disco de Hoje vem tentar compensar o longo período sem novidades musicais aqui neste blog. A big band Bixiga 70 é composta, segundo eles próprios, por "dez músicos que buscam estreitar os laços entre o passado e o futuro através de uma leitura da música cosmopolita de países como Gana e Nigéria, dos tambores dos terreiros, da música malinké, da psicodelia, do dub e de uma atitude despretensiosa e sem limites para o improviso e a dança". Numa tentativa de classificar e juntar com minhas referências musicais, lembra-me Fela Kuti.

Muita percursão, sopros frenéticos, ritmo alucinante e dançante, este segundo album da banda surpreende e merece muito ser escutado. Destaque para "Retirantes" e "Deixa a Gira Girá", que são músicas que realmente me fazem pular e dançar mesmo sentado nesta cadeira. Mais informações no site da banda: http://www.bixiga70.com.br/

Adicione empolgação no seu dia ouvindo ou adquirindo imediatamente O Disco de Hoje.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Dia 52: 2010 - Calavera (Guizado)


O Disco de Hoje é do trompetista Guilherme "Guizado" Mendonça, que junta eletrônico, jazz, batuques, manguebeat e rock neste genial trabalho. Alguns percebem claramente uma influência do Miles Davis em Bitches Brew (guardadas as devidas proporções), trompete gritando com eletrônico e rock, mas com a improvisação do jazz. Mas de fato o cara é muito bom. Seu trompete está presente nos últimos trabalhos do Nação Zumbi, Céu, Elza Soares, Maquinado, Curumim, entre outros. Mas nos seus discos solos que ele consegue se soltar e mostrar a que veio. "Calavera" tá bom de mais, bem arranjado, bem acompanhado.

Certamente, você não vai gostar na primeira ouvida. Estranho, desfocado, um tanto barulhento, perturbador. Ouça de novo, com mais carinho, com mais atenção. Satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta.

"Girando" tem diversas transições, parece um monte de músicas fundidas, sobre uma letra onírica e bateria frenética. "Vendaval" já é mais suave, gostosa de ouvir, relaxante. "Asfalto Quente" e "Mais Além" já têm mais percursão e um estilo mais próximo dos novos trabalhos do Nação Zumbi. A música que dá nome ao disco, "Calavera" está realmente genial. "Maya" lembra não o Bitches Brew, mas o "Tributo to Jack Johnson".

Um gostinho de "Mais além", uma das minhas preferidas, no tubius ou adquira já O Disco de Hoje.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Dia 48: 1967 - Quarteto Novo (Quarteto Novo)


O Disco de Hoje é Hermeto Pascoal, Airto Moreira, Heraldo do Monte e Theo de Barros em suas primeiras florescências. A maioria das músicas é do grande compositor Geraldo Vandré. Preciso dizer mais alguma coisa?

Só sei que fizeram em 1967 um som que continua tinindo de novo.

Escute ou abaixe o Disco de Hoje.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Dia 45: 2012 - 2 (Marginals)


A banda Marginals apresenta uma proposta de gravar as músicas do jeito como a coisa vai saindo. O clima de improviso e de naturalidade nas improvisações faz com que o disco "2" seja uma excelente escolha para o disco de hoje.

É um disco que frita um pouco o cérebro. Muita informação, mas com bastante critério, onde as distorções nos instrumentos (baixo e sopros), com samplers permeiam esse power trio jazz (baixo, bateria e sopros), encaixando a musicalidade em um disco onde suas músicas não parecem ter começo nem fim, mas apenas a continuidade.

Os "Marginals" mantêm viva a chama da música livre, inclusive na forma de divulgarem e distribuirem seus materiais. Dê uma conferida nos demais trabalhos autorais da banda! http://blogdomarginals.blogspot.com.br/

Se quer curtir o disco com qualidade, Baixe Aqui!


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dia 44: 2011 - Nó na orelha (Criolo)


O Disco de Hoje foi premiado de montão, recebendo da Rolling Stone o melhor disco de 2011 e a melhor música deste ano. Demorei um pouco para escutar com cuidado, com leveza, com vontade de gostar. Talvez porque eu não seja lá muito fã do gênero musical que está enquadrado (rap?). Mas "Nó na Orelha" um pouco de tudo, rap, brega, afrobeat e outros estilos para os classificadores de plantão. De rap mesmo, propriamente dito, temos apenas "Grajauex", "Sucrilhos" e "Lion Man".

"Não existe amor em SP", a música premiada (single) é lindona, música e letra, um soul do fundo da alma, violinos, arranjos bem cuidados. "Bogotá" lembra em ritmos e  sopros o Fela Kuti, que depois é reverenciado na letra de "Mariô", um afrobeat cheio de percursão e empolgante em parceria com o fenomenal Kiko Dinnuci, que já passou por aqui. Temos ainda "Samba Sambei", no estilo mais reggae/dub. Prá fechar, "Linha de Frente", um sambinha prá lá de bom.

Deguste aí ou adquira imediatamente O Disco de Hoje.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dia 41: 2009 - Vagarosa (Céu)


Quando conheci a Céu, no seu primeiro album, de 2005, me apaixonei. Foi muito bom ver uma menina nova fazendo música boa e diferente. Demorou 4 longos anos para ela lançar O Disco de Hoje, o excelente "Vagarosa". Fazia tempo que eu pensava em promovê-la ao Disco de Hoje, sempre postergando por ouvir outras coisas. Desta vez não teve jeito, ouvimos este álbum em Macacos, fazendo pizzas, com crianças brincando na mata, papeando com um amigo das antigas, que definiu o álbum como uma obra-prima da MPB.

O vozeirão da Céu contrasta com sua aparência de menina. "Vagarosa" foi aclamado pela crítica internacional e ganhou um Grammy (se é que isto tem alguma importância). Tem 12 músicas dela, com parcerias com Fernando Catatau, Siba, Beto Villares, a filha do Itamar Assumpção, Anelis e Thalma de Freitas. As gravações ainda contam com participação de Luiz Melodia e Los Sebozos Postizos. 

Após um rápido prelúdio ("Sobre o amor e seu trabalho silencioso"), vem arrebentando com "Fiz minha casa no seu cangote" na segunda faixa ("Cangote"). Uma das minhas preferidas é "Bubuia" tem uma riqueza de sons, instrumentos e vozeirões femininos misturados. "Nascente" também é excelente, com o trompetista Guizado (excelente) gritando forte sobre o instrumental do Siba num funk jazz (se é que dar prá definir). "Vira Lata" tem o estilo inconfundível do grande Luiz Melodia, sambinha gostoso.

Ainda tem "Rosa Menina Rosa" do Jorge Ben, quase irreconhecível, numa versão prá lá de psicodélica. "Sonâmbulo" é definido (por aqueles que gostam de definir) como um afrobeat orgânico com estilo jamaicano (?!), com um refrão que não sai da cabeça: "é bom desconfiar dos bons elementos".

Vale muito a pena ter, baixar, ouvir e re-ouvir, de preferência com fones de ouvido, para atentar para os ricos detalhes. Adquira o Disco de Hoje ou ouça no tubius.


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Dia 40: 1993 - Nome (Arnaldo Antunes)

O Disco de Hoje é o primeiro do Arnaldo Antunes depois da sua saída dos Titãs, um dos mais estranhos e o meu preferido. Neste album, a receita já comentada aqui de uma música perturbadora seguida por uma relaxante é bem evidente. Este contraste entre as faixas faz com que as músicas calminhas, relaxantes (muitas delas com participação da Marisa Monte) fiquem ainda melhores. Para aqueles que quiserem misturar esta poesia e música com imagens, ainda tem o DVD Nome, lançado no mesmo ano, que coloca imagens

Neste disco, a poesia concreta musicada está presente, com temas simples utilizados de forma brilhante. Arnaldo Antunes é um gênio em suas letras e trocadilhos. Já na primeira faixa ("Fênis"), o ouvinte percebe que o Arnaldo não vai deixá-lo tranquilo, com uma respiração difícil, truncada, aliviada no último suspiro. "Nome" deixa claro que os nomes se dão, os nomes das coisas não são as coisas. "Tato" é uma aula de sexo ("velocidade se controla com respiração").

"Cultura" é super divertida, com umas tiradas ótimas do tipo "bactéria no meio é cultura", "o cavalo é pasto do carrapato", "engordar é a tarefa do porco" e "a cegonha é a girafa do ganso". "Carnaval" foi regravada em outros trabalhos do Arnaldo e utilizada em trilhas sonoras de filmes. "Entre", com a participação de Péricles Cavalcanti, é uma salada, cada verso como uma música diferente.

Ainda temos "Alta Noite", com Marisa Monte, piano de João Donato, numa versão maravilhosa, com a voz grave e desafinada ao seu modo do Arnaldo sempre incomodando no fundo da voz da Marisa Monte. Prá terminar o excelente album, tem "Agora", que fica por intermináveis 1 minuto e 20 segundos repetindo "já passou" de forma irritante, mas não passa nunca. Faz com que seja tão bom ouvir quanto terminar de ouvir.

Não deixe de abaixar O Disco de Hoje.
Aí em baixo uma amostrinha do DVD. 



sábado, 14 de junho de 2014

Dia 31: 2006 - Super Duper (Trash Pour 4)



Como o título do album mesmo diz, o Disco de Hoje é super mega alegrinho. "Super Duper" é o segundo album do quarteto "Trash Pour 4" um quarteto paulista que baseia sua produção na reciclagem de grandes sucessos nacionais e internacionais. Portanto, o Disco de Hoje é só de "covers"? Não sei se podemos chamar de "cover" a completa transformação descompromissada que o "Trash Pour 4" faz nas músicas. E com execução instrumental bonita e bem arranjada, com baixo, teclado, bandolim, violino, guitarra e uma baterista (mulher, oba!), com o vocal suave de Natália Mallo.

E a seleção musical... "Lithium" do Nirvana, ganha uma versão num chorinho, bem calminho, bem gostoso de escutar. "Whats Up" do Guns N' Roses super prá cima. O que mais me impressiona foi o que fizeram com "Geni e o Zepelin", onde já se viu cantar "ela dominou seu asco, ele fez tanta sujeira, lambuzou-se a noite inteira até ficar saciado" de uma forma tão alegre? A música acaba contradizendo a letra, e parece cantar sob o ponto de vista dos cidadãos do "cidade", não da "Geni", como eu estava acostumado pelo Chico Buarque. Temos dois grandes sucessos da "Madonna", "Like a Virgin" e "Careless Whisper", "Fala" do "Secos e Molhados" e "Is This Love" do Bob Marley totalmente reconstruídos. Tem também umas três músicas que eu acho bem chatas, mas o disco vale a pena.

Se ler o capítulo anterior já confunde o cérebro (como juntar tudo isso num Álbum?), imagina a confusão da forma como é tocada?

Então, entubia o Nirvana aí, ou abaixe o Disco de Hoje.


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Dia 30: 1975 - Casa de Rock (Casa das Máquinas)


Esse é o terceiro disco da grande banda Casa das Máquinas.
Ganhei esse disco no Sebo que trabalhei ainda com 13 anos. Lembro que fiquei espantado quando eu vi um disco lisinho, de tanto ter sido escutado. De tanto que a agulha raspou as faixas, foi ficando liso.
É legal imaginar as histórias por detrás de um disco... das tantas pessoas e vezes que ele foi tocado.
Tenho ele guardado pra olhar e um outro para poder escutar!
A guitarra começa quebrando tudo... com Casa de Rock.
Como os clássicos discos de rock setentista, as baladas faziam parte da obra. Esse disco não foge da receita, e com "Certo sim seu errado", "Mania de ser" e outras de pegadinha mais leve permeiam os rocks progressivos de "Dr. medo", "Stress", etc.

Vale ressaltar que a banda está renovada e vem quebrando tudo em shows, empolgando sempre o público.
Vale um conferes na página dos caras Aqui

Casa de Rock é meu disco de hoje. Daqueles dias em que se quer dizer mais coisas, que só o rock pode dizer...

Aproveitem!
"Me disseram que devagar eu chego láááá!!"

Curte no "tubius" como o diz o GanTi, ou baixa aí!


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Dia 28: Fruto Proibido (Rita Lee e Tutti Frutti)


O Disco de Hoje é um clássico rock'n'roll nacional. Quebradeira, guitarras gritando, bateria limpa e frenética, baixo forte e marcante, voz e letras de Rita Lee em sua melhor fase, depois da saída dos Mutantes. Mais um das listas de melhor disco nacional. 

Comprei o vinil em um sebo, e, infelizmente, tem um suspeito buraco de queimado bem no meio da excelente "Agora só falta você", em sua primeira versão. Tem um belo blues em "Cartão Postal" e a divertida e empolgante "Esse tal de Roque Enrow", com suas diversas quebras de ritmo. Clássicas como "Ovelha Negra" e "Luz del Fuego" também apareceram neste disco pela primeira vez. A minha preferida deste disco é "O Toque", que tem trechos de flauta a la Jethro Tull.

Ouça no tubius ou adquira o album.


domingo, 11 de maio de 2014

Dia 17: 2009 - Pequeno Cidadão



No dia das Mães, o Disco de Hoje é presente para os filhos. É um excelente disco infantil, para as crianças de todas idades. Tem rock, pop, samba, rap. As letras são infantis, mas diferentes do comum. Afinal, é um projeto do grande Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra (IRA), Taciana Barros e Antônio Pinto, junto com seus filhos de todas as idades, que tocam, cantam e encantam.

Adoro o Arnaldo Antunes e me espanta que ainda não tenha aparecido aqui no Disco de Hoje. O álbum começa com "Pequeno Cidadão", um rock animado com letra criativa sobre direitos e deveres. "Futezinho" é um sambinha gostoso, com arranjos inteligentes de teclado e viola. "Tchau Chupeta", bem calminha, linda, com a voz grave e marcante do Arnaldo, poesia linda e emocionante. "Larga a Lagartixa" um rock pesado com letra de trava-línguas que, cantado pelas crianças, é divertidíssimo.

Talvez você só goste se for pai ou mãe, mas eu acho uma sonzera. Ainda mais no mundo da galinha pintadinha.

Abaixo o clipe de "Pequeno Cidadão", mas talvez você queira ouvir mais.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Dia 15: 2004 - Electro Brasil (Alta Fidelidade)



Não tenho muitas informações sobre O Disco de Hoje, só sei que é muito bom, música eletrônica (louge?), jazz e brasileira. A banda Alta Fidelidade é composta por André Bourgeois (produtor suíco-brasileiro) e Mano Bap (baixista e programador). Difícil encontrar informações sobre estes caras, só sei que o Mano Bap foi baixista do Karnak (que já foi citado aqui no Disco do Dia). Este disco ainda conta com uma "big band" de mais de dez integrantes.

Começa com "Pentagrama", uma excelente fusão acelerada de um monte de elementos e instrumentos. Tem duas músicas do Jorge Ben, "Balança Pema" e uma versão maravilhosa de "Falador Passa Mal", com um saxofone marcante e a voz sensual da Marina de La Riva. De releituras de músicas brasileiras, ainda temos "Aquarela do Brasil", em um arranjo encantador de sax, bateria, eletrônica e piano e "Berimbau" do Baden e Vinicius. "5 am" tem um solo de violão fantástico.

Ideal para leitura, estudo e namoro. Não deixe de ouvir. Infelizmente não consegui reencontrá-lo para abaixar. Se interessou? Pergunte-me como encontrar. Vai um teaser de "Falador Passa Mal" no iutubiu.