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domingo, 27 de abril de 2014

Dia 7: 2010 - 4 Loas (Marku Ribas)


O Disco de Hoje vem de Minas, porque é bão dimais e já faz um tempão (quase 6 dias) que eu não coloco aqui um disco da terrinha. Apesar de você provavelmente não conhecer, o Marku Ribas tem uma longa trajetória, com seu primeiro disco por volta de 1973 e gravações com grandes nomes como Mick Jagger, Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Tim Maia e muitos outros. Ele já apareceu aqui no Disco do Dia 4.

Me lembro de um show que fui dele em um comício do Lula, em 1989, nos saudosos tempos em que os músicos não eram contratados para shows em comícios, e sim tocavam por acreditar na causa (nos saudosos tempos que partidos tinham "causa"). Se eu não me engano, ele inclusive ficou lá em casa.

Para mim, 4 Loas, que é seu último álbum, é sua obra-prima. Como definir este disco? Samba rock? Jazz? Reggae? Na verdade acho que a melhor definição é black music. Negro, de corpo, alma e som, nunca se limitou ao enquadramento dos estilos musicais. Voz poderosa e marcante, ótimo compositor, com influências do rock, samba, ritmos africanos, soul, congado e um montão de outras coisas. Morreu em 2013 sem grande reconhecimento, quase anônimo fora do círculo musical de Minas Gerais.

O disco é excelente, do começo ao fim, vibrante, empolgante e dançante. "Altas Horas" é uma mistura de samba e bossa, muito prá cima, guitarras limpas e lindas, sopros, do bom e do melhor. "Bervely Help" é rock'n'roll todo quebrado. Um dos pontos altos do disco é "O Mar Não Tem Cabelo", com um baixo marcante, bateria, sopros, guitarras integradas em ritmo que vem da alma com uma letra muito legal:"eu sei que é duro amar alguém que não ama você, pior ainda é não ter mais um amor prá se esquecer". Duvido que você escute sem se balançar.

Este eu não encontrei completo no youtube, mas dá uma degustada aí em uma música. Tenho certeza de que você leitor é espertinho o bastante para encontrar o disco completo para abaixar, quem sabe aqui?


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dia 4: 2005 - Bambas e Biritas Vol. 1 (Bid)





O Disco de Hoje é uma reunião de 56 músicos, organizados pelo BiD, com gravações feitas ao longo de pelo menos 8 anos, pois tem participação até do Chico Science, que morreu em 1997.

O cara é o Eduardo Bidlovski, conhecido como BiD, um ilustre desconhecido, como a maioria dos produtores. Ele esteve por trás na produção e gravação de discos do Chico Science, Arnaldo Antunes, Marcelo D2, Mundo Livre S/A e Otto. Além de produtor, é músico, compositor, um dos membros fundadores da big-band "Funk como Le Gusta" e integra a banda base deste disco, junto com Carlos Daffé.

O disco começa com a contagiante "Não Pára", que gruda na cabeça de uma forma impressionante. "Na noite se resolve", com a participação do Black Alien, é um rap bem misturado, estilo que segue na próxima música ("Maestro do canão") e que não faz a minha cabeça.

Para mim, o ponto alto do disco começa com "E depois", música deliciosa cantada pelo desafinado Seu Jorge ("as mina pira"), realmente dá vontade de ir para o "depois". Esta música é emendada por "Fora do horário comercial", com a voz de trovão do Marku Ribas, mineiro que morreu neste ano em um semi-anonimato, depois de 40 anos de carreira.. Para fechar a sequência com chave de outro, temos a Elza Soares, com sua voz rouca de arrepiar, em "Mandingueira". Só estas três músicas já merecem transformar este álbum no Disco do Dia.

Mas ainda temos "Saudades da Black Rio", que é realmente uma música criada para matar as saudades da Banda Black Rio (que um dia ainda vai estar no Disco do Dia) e "Roda Rodete Rodeano", que foi uma recuperação de uma gravação do Chico Science que nunca havia saído antes deste disco.

O disco pode ser ouvido ou baixado gratuitamente no site do cara. Lá também tem o Bambas Dois, segundo volume desta misturança do BiD, agora Brasil-Jamaica, que ainda não ouvi.

Curte aí videoclip da "Mandingueira", uma das melhores músicas do disco.