Já faz tempo que o Junio Barreto foi O Disco de Hoje, entretanto nunca foi postado... O pernambucano de Caruaru lançou este disco depois de duas décadas de carreira. Amigo pessoal do Otto, teve algumas músicas gravadas por grandes nomes como Lenine e Gal Costa (Santana) e Nação Zumbi (Toda surdez será castigada).
Depois desse, lançou um EP em 2008, e recentemente o excelente "Setembro", de 2011.
Disco bom, do começo ao fim, letrista inspirado, músicas bem arranjadas, gostosas de ouvir... De cara, começa com "Qualé mago", excelente bossinha eletro ("andar descalço, quando cedo chegar (...) porque ter muito é ter não, por não ter jeito de vez") e a divertidíssima "Se vê que vai cair deita de vez".
A minha preferida é realmente "Santana", que na minha singela opinião é melhor do que a versão do mestre Lenine.
"A nossa santa padroeira chorou sangue,
Chorou sangue,
Chorou sangue: era Deus e beleza.
Despego meu;
Quem girou a moenda partiu.
Na pressa o rosário quebrou.
Chorou, ah, chorou.
Louveira santa, desata o apuro,
Leve e tanto, sempre sido só;
Tange solto quebrado, quebrado,
Claro carmo, nossa sede, obá."
A instrumental "Passeio" é algo que vale muito à pena ouvir, me leva à tranquilidade de um dia alegre e ensolarado.
Te abre e sinta "Santana" aí no tubius, de chorar. Não deixe de prestar atenção no baixo nervoso do DJ Tudo (Alfredo Bello), que já apareceu aqui diversas vezes. Escute o disco no soundcloud e se gostar adquira já O Disco de Hoje para agregar à sua coleção.
Te encontrei uma única vez... Hoje não tenho certeza de quem você acompanhava, se Zeca Baleiro ou Chico César. Creio que seja o Zeca, no Palácio das Artes, em 2002. Sei que qualquer um deles se tornou coadjuvante no próprio show, ofuscado por ti, tocando com o corpo inteiro, do dedão do pé até a ponta dos dreads naquele palco. Você não me viu, eu era só mais um jovem de cabelo de caracóis dançando alucinado grudado naquele palco de teatro, num dia em que poucos conseguiram permanecer sentados nos seus lugares...
Aquela que eu vi era a mulher mais bonita do mundo, tirando som com o corpo de um monte de coisas diferentes... Vestido vermelho, pernas de quem caminha na praia, musculosa pelos exercícios musicais com percursões nas pernas e bateria. Na época, eu era um pós adolescente de 19 anos, e tu uma mulher completa, com seus 32. Me apaixonei perdidamente. Fui atrás de você, re-devorando toda a obra do Chico César e te procurando nas percursões de cada música...
Treze anos depois, já havia guardado você naquele lugar especial das antigas paixões, que fica ali, faz parte de mim, mas não incomoda ninguém, é só mais um pedaço dos cacos... Hoje, te vi de novo, através do disco Projeto CRU. Te vi tocando tudo, com o coração e com o corpo inteiro, no mundo virtual e digital com Alfredo Bello (Dj Tudo) e Marcelo Monteiro. Te encontrei por acaso numa bilhetinho para o Alfredo Bello, neste disco maravilhoso e pontual. Por falar nisso, você tava muito bem acompanhada hein?
Escutei com carinho e cuidado, que belezura que vocês fizeram hein? Te vejo tocando o comecinho do "Africando" com aquele tamborzinho de baqueta curva, passando um montão de sentimento diferente a cada batida... Violinos para introduzir o baixão bem tocado do Bello e o sax do Marcelo...
Sei que "Africando" foi me africando, me empolgando cada vez mais, para me preparar para escutar "Xangô". Uma das únicas músicas cantadas e vocês trazem o Junio Barreto, esse guri bão que eu conheci também há alguns dias...
Mas eu gostei muito mesmo foi de "Caminho" em que você fica fazendo um dueto com a rabeca, depois com a flauta, depois com o baixo, e só dá você naquele ritmo indiano... Mas eu quero mesmo mostrar pros meus amigos o berimbau lindo demais que tu tocas em "Desassossego", que emenda na dançante "Maxixe"...
Aí vou ver como é que cê tá hoje... Vi que trocou de nome, e agora se chama Simone Sou, ainda mais bonita, bem brasileira, dizendo que és... Vi que se juntou àquele maluco do Guilherme Kastrup em um duo, e tá fazendo uma sonzêra instrumental indescritível. Onde já se viu fazer duo de percussionista? Só tu mesmo Simone. Ainda mais agora com o Benjamin Taubkin... E tu ainda abrilhantou discos do Otto, do Junio Barreto e até da re-edição recente dos Mutantes... Vi até que tem disco solo e que está até cantando, mas ainda não consegui ouvir.
Mas só consegui saber das belezuras que tu tem tocado... De você mesmo eu não achei nada, se está casada ou solteira, se gosta de meninos ou meninas, se tem filhos, onde tá morando... Ai, eu gostava tanto daqueles rasta louco de lindos, e tu tirou agora, bem um pouquinho antes de eu te reencontrar. Mas tu tá mais bunita que nunca.
Eu tô muito bem, feliz, apaixonado, completo e tranquilo.
Um beijo cheio de carinho e um abraço apertado e cheio de energia boa,
Tiago
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Curtam aí um pouquinho no tube ou pegue O Disco de Hoje.
O Disco de Hoje não é um disco, e sim uma playlist que preparei para uma parte da Festa do Porco (FDP 2014). Esta tradicional festa acontece há mais de uma década anualmente no Cassino e serve para reunir por 3 dias a comunidade oceanográfica daqui, bem como trazer os oceanólogos que se espalharam pelo mundo. O bacana é que, na verdade, são muitas festas dentro de uma só.
Esta seleção tem um montão de coisa boa e animada, algumas que já passaram aqui pelo Disco de Hoje. Começamos com uma breve introdução, passando pelo ska e reggae, afrobeat, manguebeat, samba, chegando no final a uns forrozinhos de alta qualidade, que serviriam para preparar o solo para o Bando de Coirana.
O Disco de Hoje te apresenta o DJ Tudo, ou Alfredo Bello, ou Luiz Alfredo Coutinho Souto, é um grande artesão musical, especializado em costurar com criatividade e perfeição colchas de retalhos musicais. Um verdadeiro patchworker! Ele apareceu de relance aqui no Disco de Hoje no disco do Chico Corrêa, com a participação em Magangá.
Neste album, "Nos quintais do Mundo" ou "My Community is Humanity", ele junta gente de todo lugar, gravando trechos separadamente, e produz uma verdadeira obra-prima de viola caipira, música africana, maracatu, forró, congado, bumba meu boi, reisado, repente e um montão de outras coisas. Realmente multicultural inclassificável.
Não vou me dar ao trabalho de chamar atenção à músicas específicas, porque o álbum é bom do começo ao fim e deve ser escutado na íntegra. Apenas chamo atenção para que o ouvinte dê uma breve navegada no site do produtor (http://www.selomundomelhor.org/), pois ali é possível ver vídeos de cada artista gravando sozinho as suas partes de cada música, e entender melhor os ingredientes utilizados na receita do disco. Ali também pode ser baixado gratuitamente as músicas deste disco, bem como seus outros trabalhos.
Deguste aí no tubius a versão ao vivo de "Baque Forte", a primeira música do album, ou adquira urgentemente O Disco de Hoje.