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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Dia 80: 2015 - Carbono (Lenine)


O Disco de Hoje traz novamente o mestre Lenine, que parece cada vez mais engajado com a educação ambiental através da música. Temas que já apareciam com força no maravilhoso Labiata, são recorrentes em "Carbono", como poluição, derrames de óleo, incêndio, falta de água, aquecimento global. Então, mais um motivo para amar o Lenine, o engajamento. Outro motivo que para mim fica evidente no Disco de Hoje, a renovação a cada novo álbum, um Lenine sempre diferente, sempre moderno, sempre à frente.

Começo com "Cupim de ferro", a primeira composição conjunta entre Lenine e Nação Zumbi, uma belezura só. Composta em conjunto, traz os riffes e ritmo do Nação, letra e balanço do Lenine. Em entrevista, Lenine conta que perguntou como era o processo de criação do Nação, e se encaixou nele...

"Quem leva a vida sou eu", desconstrói "Deixa a vida me levar" do Zeca Pagodinho...  
"Não deixo a vida me levar
Levo o que vale do viver
Um sorriso pleno, um amor sereno
E tudo o que o tempo me der"

"Castanho" abre o disco com uma viola, tranquila, bem arranjada. Quando vai pro rock, em "Grafite diamante" e "Undo" (excelente instrumental), vai com guitarras ainda mais pesadas do que em "Labiata". A guitarra e distorções talvez sejam uma marca da fusão Lenine/Tostoi, guitarrista, produtor e responsável pelos eletrônicos e sintetizadores de "Labiata", que acompanha Lenine há alguns anos...

Uma obra-prima "Quede Água", que explica tudo.
"O lucro a curto prazo, o corte raso
O agrotóxico, o negócio
A grana a qualquer preço, petro-gaso
Carbo-combustível fóssil
O esgoto de carbono a céu aberto
Na atmosfera, no alto
O rio enterrado e encoberto
Por cimento e por aslfalto
Quede água? Quede água?"
Ouve aí e adquira já O Disco de Hoje.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Dia 62: Seleção para a Festa do Porco (Tiago Gandra)

O Disco de Hoje não é um disco, e sim uma playlist que preparei para uma parte da Festa do Porco (FDP 2014). Esta tradicional festa acontece há mais de uma década anualmente no Cassino e serve para reunir por 3 dias a comunidade oceanográfica daqui, bem como trazer os oceanólogos que se espalharam pelo mundo. O bacana é que, na verdade, são muitas festas dentro de uma só.

Esta seleção tem um montão de coisa boa e animada, algumas que já passaram aqui pelo Disco de Hoje. Começamos com uma breve introdução, passando pelo ska e reggae, afrobeat, manguebeat, samba, chegando no final a uns forrozinhos de alta qualidade, que serviriam para preparar o solo para o Bando de Coirana.

É possível adquirir aqui o Disco de Hoje. Espero que vocês curtam. Eu curti.



Execução Música
1 Eumir Deodato Also Sprach Zarathrusta
2 Anelis Assumpção Cê tá com tempo
3 Sonantes Defenestrando
4 Mundo Livre SA Embustation
5 Graveola Babulina's trip
6 Bob Marley Concrete Jungle
7 The Skatalites James Bond Theme
8 Pequena Morte Xamorrê
9 Anelis Assumpção Inconcluso
10 Curumi Vestido de Prata
11 Criolo Mariô
12 Os Mutantes Bat Macumba
13 Planet Hemp Não compre plante
14 Abayomi Afrobeat Orquestra Malunguinho
15 Iconili Mulato
16 Bixiga 70 Tigre
17 Abayomi Afrobeat Orquestra Obatala
18 Dj Tudo Afro Jam
19 Metá Metá Man Feriman
20 Chico Science e Nação Zumbi Macô
21 Tom Zé Xiquexique
22 Chico Science e Nação Zumbi Baião Ambiental
23 Tom Zé Ogodô, Ano 2000
24 Marku Ribas O mar não tem cabelo
25 André Abujamra Tem luz na cauda da flecha
26 Erasmos Carlos De noite, na cama
27 Afrobombas De sal e sol
28 Tim Maia Energia Racional
29 Tim Maia Rational Culture
30 Airto Moreira Ritmo do Mundo
31 Nação Zumbi Carnaval
32 Mundo Livre SA O africano e o ariano
33 Pequena Morte Bom!
34 Airto Moreira Celebration Suit
35 Bid Não para
36 André Bourgois Falador passa mal
37 Chico Science e Nação Zumbi Lixo do mangue
38 Metá Metá Cobra rasteira
39 Chico Science e Nação Zumbi Maracatu Atômico
40 Dj Tudo Que bela macumba
41 Karnak Espinho na roseira
42 Tom Zé Pisa na fulô
43 Karnak Eu só quero um xodó
44 Geraldo Azevedo Taxi Lunar
45 Caetano Veloso Cajuína
46 Rastapé Heroína
47 Rastapé Espumas ao vento
48 Zeca Baleiro Essas emoções

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Dia 58: 2008 - Sonantes (Sonantes)


O Disco de Hoje é único e efêmero. Um juntamento de amigos que moram em um mesmo condomínio em São Paulo resultou nesta linda obra. Os amigos são CéU, Gui e Rica Amabis, Dengue e Pupilo (Nação Zumbi), com participações especiais de mais uma moçada de peso.

Curioso que até hoje eu pensasse que era um disco de apenas 4 músicas e mesmo assim ia colocar como o Disco de Hoje. Quando fui pesquisar, fui agraciado pela surpresa de mais 6 músicas e fiquei feliz demais.

Destaque para "Marimbó", num suingue delicioso enfeitado pela voz da CéU e para a instrumental "Looks like to kill", tema de aventura. A tranquilidade em idioma que parece africano em "Itapeva" é demais também.

Dá uma degustada aí no tube ou adquira imediatamente o Disco de Hoje.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Dia 38: 2014 - Nação Zumbi (Nação Zumbi)


Depois de já ter passeado por aqui, o disco Nação Zumbi volta com novas canções. Foi lançado há pouco tempo, como se fosse um comemorativo de duas décadas do "Da Lama ao Caos" e depois de 12 anos de um disco com mesmo nome (?) Faltou ideia para esse de 2014, ou foi de propósito? Pra mim ele poderia se chamar PulsArte (fica meus 2 cents pra nação =D )

De qualquer forma, o disco mantém boas melodias na voz de Jorge Du Peixe, que antes parecia ser mais monotônico e com suingados menos agressivos quando comparados com os discos passados ("Futura" e "Fome de tudo").

Vem com participação de Marisa Monte na deliciosa faixa "A melhor hora da Praia", onde retribuem a parceria que o trio Pupillo (bateria), Lúcio Maia (guitarra) e Dengue (baixo) fizeram ao gravar e acompanhar a Marisa em seu disco (O Que Você Quer Saber de Verdade).

Disco gostoso de escutar!

Baixa aí

Escute na íntegra aqui: http://www.deezer.com/album/7752515

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dia 5: 1996 - Afrociberdelia (Chico Science e Nação Zumbi)

O Disco de Hoje é foda. Recém re-lançado em vinil 180 gramas, emoção diferente. Sopros, tambores de maracatu, berimbaus, guitarras distorcidas e baixo poderoso do começo ao fim, tudo isso junto com a voz única e poesias enxarcadas de lama de mangue do Chico Science. 

Este disco deve ser ouvido para aumentar a sua velocidade média em uma corrida ou pedalada, para alguma festa bem dançante ou para levantar o seu ânimo na manhã de segunda-feira, de preferência bem alto.

Do Chico Science eu só posso dizer que morreu cedo demais e só teve tempo de lançar dois discos: "Da lama ao caos" (1994) e Afrociberdelia (1996). Em compensação, deixou algum material gravado, o que possibilitou o lançamento de um disco póstumo (CSNZ) e um legado mais importante, que foi o estilo e movimento manguebeat e a inserção de Recife no cenário musical brasileiro, o que vem rendendo frutos até hoje. Otto, Nação Zumbi (que segue fazendo ótima música, mesmo sem o Chico) e Mundo Livre S/A são alguns dos frutos deste movimento.

Na minha humilde opinião, depois da grande produtividade do (pop)rock nacional dos anos 80 (muitas bandas, nada de muito novo), o Nação Zumbi veio no início dos anos 90 injetar sangue novo no rock nacional, criando um estilo musical sem precedentes. E olha que é difícil criar algo novo, depois de tudo que foi lançado na música mundial.

Taí um disco que eu não vou conseguir descrever, só ouvindo mesmo. Chamo atenção para "Maracatu Atômico", regravação da música de Jorge Mautner de 1974 e "Quilombo Groove", instrumental de arrepiar.

"Deixar que os fatos sejam fatos naturalmente, sem que sejam forjados para acontecer" é a frase de transição para o início de "Sobremesa", que tem marcação forte de tambores e o baixão dominando. "Baião Ambiental" é ótimo para dançar um forró a dois. E "Sangue de Bairro" é tão pesado que dá medo: "quando degolaram minha cabeça passei mais de 2 minutos vendo meu corpo tremendo, e não sabia o que fazer, morrer, viver." "Criança de Domingo" alivia depois desta pressão.


Se não conhece, prepare-se para o novo. Se já conhece, re-ouve.