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domingo, 22 de junho de 2014

Dia 33: 2007 - Satolep Sambatown (Vítor Ramil + Marcos Suzano)


Gaúchos e gaúchas de todas as querências, me desculpem, mas eu não sou muito fã do Vítor Ramil. Mas no Disco de Hoje, com a parceria com o grande percussionista Marcos Suzano, eles produziram uma obra prima. Na capa aparece Vitor Ramil + Marcos Suzano, mas eu acho que o operador matemático correto seria um exponencial, ou, no mínimo, multiplicação.

Todas as músicas são do Vítor Ramil, mas o Suzano coloca mais do que percussão na obra, coloca um contra-ponto, a contradição. Já no título temos um indicador desta a contradição: Satolep (Pelotas) Sambatown (Rio de Janeiro). Se apropriando das palavras de outro blogueiro, temos nesta obra o intimista e o expansivo. O frio e o calor. A poesia e o ritmo. A suavidade e a aspereza.

"Que horas não são?" conta com o vocal de Kátia B, linda e suave. Em "O copo e a tempestade" Suzano mostra a que veio, tocando seu instrumento predileto (pandeiro) de uma forma que só ele faz, com a técnica invertida. "12 segundos de oscuridad", com a participação do uruguaio Jorge Drexler, tem poesia muito interessante, e só com esta música fui perceber que não é a luz dos faróis que guia os navios, e sim o tempo que fica apagado, que é o que identifica o farol. "Café da manhã" é uma das minhas favoritas, fazendo poesia com coisas simples e corriqueiras, arranjos suaves, mas parece que vai explodir a qualquer momento.

Ouça uma provinha aí abaixo, ou abaixe o Disco de Hoje.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Dia 32: 2006 - Ao Vivo no Teatro Municipal (Alma do Gato)


Fazia bastante tempo que não ouvia o Alma do Gato, banda que foi crucial na minha trajetória e formação Cassineira. A banda de jazz fusionado a la brasileira tinha como coração os guitarristas Carlos Garcia (base) e Maurício Cunha (solo). Acompanhei a trajetória da banda desde os tempos em que se chamavam "Piranhas Verdes" (!?), com shows no extinto Floresta. Devo a eles o excepcional show que fez do meu casamento uma das melhores festas que o Cassino já viu.

No Disco de Hoje, eles estão muito bem acompanhados por dois grandes músicos riograndinos, Edinho Galhardi (bateria) e Gilnei Oliveira (baixo). Esta gravação ao vivo (o que traz alguns probleminhas técnicos de gravação) no Teatro Municipal de Rio Grande começa bem tranquila com "Só passando na chuva", vassourinha na bateria, guitarra solo bem limpinha (como marca do Maurício). Depois temos uma série de excelentes músicas compostas com inspiração em grandes nomes do jazz: "Miles", "Mr. Montgomery", "The Monks", "Bola Sete", "Sabog" (Gabor Szabo?). Uma história interessante sobre "Bola Sete" (uma das minhas preferidas, com seu ritmo todo quebrado) é que eu sempre gritava nos shows pedindo esta música, mas nem todos os bateristas podiam tocá-la.

"RS-734" mistura samba com viradas quebradas de jazz. Temos ainda "Joana", neste disco apenas instrumental, mas que tem uma letra muito divertida. Para fechar o show, temos a empolgante "Eric Blues", que faz o ouvinte voltar para casa, tranquilo, com a alma lavada de boa música.

Infelizmente, a banda foi extinta há alguns anos, deixando como legado algumas gravações de shows, na forma de audio e vídeo (DVD), bem difíceis (impossíveis!) de encontrar. Mas tenho a esperança de, quem sabe um dia, acontecer um "Reunion" do Alma do Gato...

Assista um pouquinho no tubius ou aprecie o Disco de Hoje. Ouça do começo ao fim!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Dia 29: Ian (Ian Ramil)


Havia baixado o Disco de Hoje há algum tempo, mas demorei para ouví-lo pela primeira vez. Hoje calhou, e Ian Ramil entra para a seleta lista do Disco de Hoje. Já conhecia o filho do Vítor Ramil através da sua parceria na composição de algumas das ótimas músicas do Apanhador Só (Nescafé, Despirocar, Rota, Um Rei e um Zé).

Este é o primeiro disco do Ian, tranquilo, bem produzido, limpo e diferente. Começa com a interessante "Segue o Bloco", que tem um belíssimo trecho de sax e arranjos criativos. "Zero e Um" tem transições marcantes, parece um mosaico de várias músicas, com um alto grau de entropia, múltiplos instrumentos, excelente e arrepiante música. Algumas músicas parecem brincadeiras, como "Seis Patinhos" e "Pelicano". Temos ainda excelentes versões de "Nescafé" (com homenagens aos Beatles) e "Rota", que transformam radicalmente as músicas lançadas antes pelo "Apanhador Só". Ainda gostei bastante de "Hamburguer", que parece bastante com o tal do rock clássico americano, e "Entre o Cume e o Pé". "Transe" é linda e apaixonante.

O disco e encartes podem ser baixados gratuitamente no site do músico (http://www.ianramil.com/), mas não se esqueça de contribuir com qualquer quantia.

sábado, 26 de abril de 2014

Dia 6: 2013 - Antes que tu conte outra (Apanhador Só)



O Disco de Hoje concorreu em 5 categorias no Prêmio Açorianos de Música (um dos concursos mais importantes do Rio Grande do Sul) e levou 2, melhor intérprete e melhor album pop(?). Além destes, concorreu a um montão de prêmios e ganhou alguns no ano passado, como o de melhor disco de 2013 segundo a Associação Paulista de Críticos de Artes.


Apesar destas premiações serem muito bacanas como reconhecimento do trabalho dos artistas, isso não tem muita importância aqui no Disco do Dia, aqui o que vale é a cativação e conquista do ouvinte. E este disco me conquistou antes mesmo de começar a ser feito. Ele foi produzido através do financiamento coletivo (crowdfunding) e centenas pessoas contribuíram com valores que davam o direito a recompensas que iam desde bottons, camisetas e CDs até serenatas ou shows da banda. Isto é muito bacana, pois possibilita o trabalho artistas independentes e gera uma sensação de pertencimento aos ouvintes, a ideia de que "participei da construção deste disco".


Me conquistou também antes de ouvir, ao resgatar a minha recompensa (CD), ao ver o cuidadoso, criativo e lindo trabalho gráfico das capas, encartes e disco (mereciam ganhar também na categoria Melhor Projeto Gráfico).


Confesso que na primeira vez que ouvi o disco, achei meio "estranho", senti falta daquelas músicas bunitinhas do primeiro disco da banda, de 2010. Esta impressão passou logo na segunda vez, com os ouvidos já acostumados aos sons e poesia deste album.

A faixa "Vitta, Ian e Cassales", que parece ser várias músicas em uma só: as variações de ritmo, instrumentos e tema ao longo da mesma música são surpreendentemente boas. "Despirocar", pesadassa, vale a pena ouvir e ver o excelente videoclip . "Líquido Preto", composição em parceria com o grande amigo Rafa Vitta, é divertida, uma brincadeira com bastante sarcasmo sobre o tubo preto do imperialismo. "Torcicolo" acho que só pode ser compreendida pelos jovens viventes do RS, que passam pelos perrengues das variações sazonais de temperatura da região. Destaque também para a beleza poética e musical de "Reinação" e "Cartão Postal". Esta última fecha o album com chave de ouro, com certa melancolia e uma passagem que eu adoro: "(...) que as pernas do meu lado vão envelhecer, os sapatos que elas vestem vão perder o verniz, a carne dura menos que qualquer madeira..."

O disco pode ser baixado gratuitamente no site dos caras (www.apanhadorso.com). Se tiver a oportunidade, não deixe de comprar o disco, pois o encarte vale a pena e os caras merecem a sua contribuição.

Vida longa ao Apanhador Só!