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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Dia 36: 2005 - Balancê (Sarah Tavares)



O Disco de Hoje abre uma exceção, sendo o primeiro disco não brasileiro do nosso internacionalmente conhecido blog. Mas a brasilidade musical da portuguesa descendente de caboverdianos é quase palpável. Além disto, nós conhecemos muito pouco (ou quase nada) da música dos nosso colonizadores, então fica esta dica. Conversando com um português há alguns anos, cheguei à conclusão que Portugal é hoje colônia cultural do Brasil. Eles assistem nossas excelentes (?!) novelas, escutam nossas músicas, lêem nossos livros, compreendem o português brasileiro com fluência (nós temos dificuldade de compreender o português lusitano falado). Da cultura portuguesa atual, nós só conhecemos Saramago.

É um disco tranquilo e muito alto astral. Muita influência africana, em suas percussões e nos dialetos que aparecem em várias ocasiões. Começa com a contagiante "Balancê", que dá nome ao Disco de Hoje. "One Love" é uma das minhas preferidas, uma declaração de amor em diversos idiomas. "Amar é" é profunda, arrepiante, violão, voz e percursão. Temos ainda algo de sambinha em "Planeta Sukri", com direito à cuíca.

Mais informações sobre esta negra linda no seu website.

Abaixe o Disco de Hoje e coloque uma boa dose de positive vibrations nos seus dias chuvosos (ou não).

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dia 4: 2005 - Bambas e Biritas Vol. 1 (Bid)





O Disco de Hoje é uma reunião de 56 músicos, organizados pelo BiD, com gravações feitas ao longo de pelo menos 8 anos, pois tem participação até do Chico Science, que morreu em 1997.

O cara é o Eduardo Bidlovski, conhecido como BiD, um ilustre desconhecido, como a maioria dos produtores. Ele esteve por trás na produção e gravação de discos do Chico Science, Arnaldo Antunes, Marcelo D2, Mundo Livre S/A e Otto. Além de produtor, é músico, compositor, um dos membros fundadores da big-band "Funk como Le Gusta" e integra a banda base deste disco, junto com Carlos Daffé.

O disco começa com a contagiante "Não Pára", que gruda na cabeça de uma forma impressionante. "Na noite se resolve", com a participação do Black Alien, é um rap bem misturado, estilo que segue na próxima música ("Maestro do canão") e que não faz a minha cabeça.

Para mim, o ponto alto do disco começa com "E depois", música deliciosa cantada pelo desafinado Seu Jorge ("as mina pira"), realmente dá vontade de ir para o "depois". Esta música é emendada por "Fora do horário comercial", com a voz de trovão do Marku Ribas, mineiro que morreu neste ano em um semi-anonimato, depois de 40 anos de carreira.. Para fechar a sequência com chave de outro, temos a Elza Soares, com sua voz rouca de arrepiar, em "Mandingueira". Só estas três músicas já merecem transformar este álbum no Disco do Dia.

Mas ainda temos "Saudades da Black Rio", que é realmente uma música criada para matar as saudades da Banda Black Rio (que um dia ainda vai estar no Disco do Dia) e "Roda Rodete Rodeano", que foi uma recuperação de uma gravação do Chico Science que nunca havia saído antes deste disco.

O disco pode ser ouvido ou baixado gratuitamente no site do cara. Lá também tem o Bambas Dois, segundo volume desta misturança do BiD, agora Brasil-Jamaica, que ainda não ouvi.

Curte aí videoclip da "Mandingueira", uma das melhores músicas do disco.